Lud Falcão rebate Simões em meio a conflito político com seu marido: ‘tentativa de desviar o foco’

No texto encaminhado à imprensa, Lud afirma que Simões tenta desviar o foco e desqualificar sua reação diante de um fato que considerou grave

Lud Falcão foi eleita em 2022 e está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) rebateu as declarações do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), após tê-lo acusado de ameaça frente a um embate político com o presidente da AMM e seu marido, Luís Eduardo Falcão. Em nota, o vice-governador a acusou de tentar ganhar vantagem com a situação.

No texto encaminhado à imprensa, Lud afirma que Simões tenta desviar o foco e desqualificar sua reação diante de um fato que considerou grave. Ela ressalta que não houve pedido de desculpas ou retratação e que ele não nega o que aconteceu.

“O que existe é a clássica tentativa de desviar o foco e desqualificar uma reação legítima diante de um fato grave. Transformar indignação em ‘ânsia por protagonismo’ não apaga a realidade.
E usar palavras difíceis para fugir da responsabilidade não muda os fatos. Também causa estranheza que alguém que, diariamente, tenta de tudo para ter visibilidade, acuse os outros exatamente disso”, criticou.

Ela disse ainda que, nas entrelinhas, Simões tentou dizer como uma mulher deve se comportar para merecer um espaço na política e afirmou que ele foi machista. “Mulher não precisa de autorização, nem de enquadramento, nem de silêncio imposto para exercer seu mandato. Quem respeita a pauta das mulheres começa reconhecendo erros, não tentando deslegitimar quem se posiciona. O fato de, até agora, não haver retratação diz muito.
Diz sobre a dificuldade de reconhecer limites.
E sobre a falta de humildade para pedir desculpas quando se erra”, pontuou.

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O conflito ocorre em meio a um confronto político com seu marido, o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Eduardo Falcão, que publicou nas redes sociais um vídeo ironizando uma fala de Simões, que fazia críticas a reclamações de prefeitos na relação com o governo do estado.

Em entrevista à colunista Bertha Makarooun, Lud Falcão afirmou que foi vítima de machismo e que o vice-governador não é homem para se ter diálogo.

“Primeiro, (lamento) a falta de respeito. Represento com legitimidade 59 mil votos. Represento regiões que confiam em meu trabalho, represento mulheres, sabemos a dificuldade de ocupar cargos de poder. Ele não respeita. Segundo, foi machista, a partir do momento que grita comigo, a partir do momento que manda recado e ele é covarde em não enfrentar o meu marido. Terceiro, ele não é homem para ter diálogo. Para entender a construção de qualquer política ainda mais no ambiente que a gente vive”, afirmou na entrevista.

Em nota, o vice-governador afirmou que as acusações feitas contra ele “foram tentativas de ganhar visibilidade e não se sustentam”. “A decisão inicial foi não responder, para evitar dar protagonismo a algo que não se sustenta na realidade. A política pode muito, mas não pode tudo. A ânsia por protagonismo e visibilidade não pode justificar o uso de uma pauta legítima e sensível para tentar construir uma narrativa de vitimização que não corresponde aos fatos. Esse tipo de atitude empobrece e rebaixa o debate público. A pauta das mulheres merece respeito, responsabilidade e não pode ser instrumentalizada politicamente”, finalizou.

Leia a nota na íntegra

Eu li com atenção a nota divulgada pelo vice-governador. Não há uma linha sequer negando o que aconteceu.

Também não há retratação, ou pedido de desculpas.

O que existe é a clássica tentativa de desviar o foco e desqualificar uma reação legítima diante de um fato grave.

Transformar indignação em “ânsia por protagonismo” não apaga a realidade.
E usar palavras difíceis para fugir da responsabilidade não muda os fatos.

Também causa estranheza que alguém que, diariamente, tenta de tudo para ter visibilidade, acuse os outros exatamente disso.

Mas o mais grave é outra coisa.

É dizer, ainda que nas entrelinhas, como uma mulher deve se comportar para “merecer” espaço na política.
Isso não é debate público qualificado.
Isso é machismo.

Mulher não precisa de autorização, nem de enquadramento, nem de silêncio imposto para exercer seu mandato.

Quem respeita a pauta das mulheres começa reconhecendo erros, não tentando deslegitimar quem se posiciona.

O fato de, até agora, não haver retratação diz muito.
Diz sobre a dificuldade de reconhecer limites.
E sobre a falta de humildade para pedir desculpas quando se erra.

Da minha parte, sigo fazendo o que sempre fiz:
trabalhando, dialogando com os municípios, defendendo Minas e honrando cada voto que recebi.

Não espero nada de quem não consegue reconhecer seus próprios atos.
Espero muito do povo mineiro, e é por ele que continuo trabalhando, com firmeza, independência e coragem.

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