PRF contesta Nikolas e volta a afirmar que não foi comunicada previamente de caminhada

A assessoria de comunicação do deputado Nikolas Ferreira havia alegado que, no mesmo dia em que a caminhada foi iniciada, ofícios foram encaminhados à PRF e à ANTT

Nikolas Ferreira caminha entre o Noroeste de Minas Gerais e Brasília para protestar contra as prisões do 8 de Janeiro

Após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) ter contradito a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que havia informado que não foi avisada com antecedência da caminhada entre Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, e Brasília, no Distrito Federal, a corporação voltou a negar o aviso prévio nesta sexta-feira (23). “Como divulgamos anteriormente, não houve comunicação prévia do deslocamento junto à autoridade de trânsito”, declarou a PRF em nota.

“A PRF foi informada depois de terem dado início a caminhada. Desde então, a PRF vem acompanhando a movimentação de forma ininterrupta, com equipes dedicadas, com o objetivo de mitigar riscos, preservar a segurança viária e proteger tanto os participantes quanto os demais usuários da rodovia, sem prejuízo da adoção das medidas administrativas e legais cabíveis nos caso de descumprimento da legislação”, completou a corporação.

A assessoria de comunicação do deputado Nikolas Ferreira havia alegado que, no mesmo dia em que a caminhada foi iniciada, ofícios foram encaminhados à PRF e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) comunicando oficialmente o percurso na BR-040.

“Ressalta-se que no primeiro dia o número de pessoas ainda era pequeno por ser o primeiro dia. Vale ressaltar que a Secretaria-Executiva da Diretoria de Operações da PRF confirmou o recebimento do ofício e seu cadastramento no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Ou seja, houve comunicação formal dentro das possibilidades concretas do caso”, afirma o texto.

O parlamentar ainda garantiu que demais órgãos de segurança pública que visam garantir a ordem estavam sendo oficiados “na medida em que os trajetos estão sendo viabilizados”. “A caminhada segue de forma pacífica e monitorada, atualmente pela BR-040, e a previsão de chegada em Brasília é dia 25 de janeiro, com encerramento na Praça do Cruzeiro. O deputado mantém diálogo permanente com as autoridades e reafirma o compromisso com a segurança e o respeito às instituições”, completou.

“Caminhada Pela Justiça e Liberdade”

O movimento de Nikolas Ferreira ocorre em protesto às prisões dos condenados pelo 8 de Janeiro – incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar divulgou, nessa quinta-feira (22), que o ato final da caminhada, um protesto com expectativa de reunir milhares de pessoas em Brasília, acontecerá na Praça do Cruzeiro.

O deputado afirma que a mobilização tem como objetivo “chamar a atenção da sociedade para arbitrariedades recentes no país” incluindo a prisão de Bolsonaro e a “situação jurídica” dos presos do 8 de Janeiro. “De acordo com Nikolas Ferreira, o encerramento da caminhada busca reforçar o caráter pacífico e simbólico da iniciativa, convidando a população a refletir sobre o atual cenário político e institucional do país”, diz nota.

Especialista destaca riscos

O especialista em trânsito e transporte Silvestre de Andrade explica que Nikolas deveria ter avisado previamente tanto à Polícia Rodoviária Federal quanto à concessionária que administra o trecho entre Paracatu e Cristalina para que os riscos tanto aos pedestres quanto a quem trafega na rodovia fossem minimizados.

“Rodovia não é um local para tráfego de pedestres. Não é preparada para isso. Não tem passeio, não tem vias de pedestre. O tráfego de pedestres é para ser eventual e normalmente tem que ser feito pelo acostamento. Quando se tem uma aglomeração, tem-se um problema muito maior, as pessoas ocupam o acostamento todo e o acostamento é feito também para uma parada emergencial de veículos”, explica.

Para ele, o parlamentar e o grupo que o acompanha deveriam ter informado tanto os horários das caminhadas, quanto a quantidade de pessoas que percorreriam o trecho. “Quando você tem essa aglomeração precisa ter um acompanhamento, precisaria ter avisado a Polícia Rodoviária, e tem uma empresa concessionária também. A concessionária tem que ser avisada e tem que preparar uma operação de apoio. Não pode ser feito de qualquer maneira porque é muito perigoso”, finaliza.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

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