Famílias de vítimas de grandes tragédias se unem em Brumadinho para cobrar justiça

Encontro reuniu parentes de vítimas de Brumadinho, Mariana, Boate Kiss, Ninho do Urubu e Braskem para pressionar o Judiciário e evitar novas tragédias

Associações apresentaram uma carta cobrando a responsabilização dos culpados

Familiares de vítimas de algumas das maiores tragédias do Brasil se reuniram nesta sexta-feira (23), no Memorial Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para formalizar uma atuação conjunta em defesa da responsabilização dos culpados e da celeridade dos processos judiciais.

O encontro reuniu representantes das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, da tragédia de Mariana, do incêndio na boate Kiss, do afundamento do solo provocado por uma mina da Braskem, em Maceió, e do incêndio no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, que matou dez jovens atletas em 2019.

Entre os participantes está Darley Constantino Pizzetta, pai de Bernardo, goleiro das categorias de base do Flamengo, morto no incêndio. Ele veio de Santa Catarina para participar da articulação nacional entre as associações.

Segundo Darley, a proposta do encontro é unir forças para pressionar o sistema de Justiça, considerado lento pelos familiares, e garantir acompanhamento mais efetivo dos processos. Ele também comentou a situação atual do caso envolvendo o incêndio no Ninho do Urubu e criticou a decisão judicial recente.

“O processo teve agora a absolvição dos réus, que na minha opinião não são aqueles que deveriam estar lá, mas não sou eu a justiça que tem que declarar isso. Então a gente está agora procurando reverter esse caso, essa situação. O Ministério Público já entrou com um pedido para reverter isso. E estamos trabalhando para que a coisa mude”, afirmou.

Darley destacou ainda o desgaste emocional enfrentado pelas famílias ao longo dos processos judiciais, especialmente durante as discussões envolvendo indenizações.

“Essas empresas estão bem preparadas, eles colocam profissionais para estar lidando com a gente. E aí a gente escuta porque vida nenhuma tem preço, então é difícil você escutar valores, é difícil você escutar que o seu filho tinha 10 ou 20% de chance de ser um profissional”, desabafou.

Durante o processo, ele também criticou avaliações feitas sobre o potencial esportivo do filho. “Não é qualquer menino que entra no Flamengo, ou qualquer outro clube grande. O menino realmente tem que ter potencial”, disse.

Para Darley, além da busca por justiça, o encontro também tem como objetivo transformar a dor em mudanças concretas, com alterações na legislação e maior fiscalização para evitar que tragédias semelhantes se repitam.

“Essas tragédias também tem que servir para alguma coisa. Então mudar algumas coisas na legislação. Muitos clubes alojam os meninos em qualquer canto. Não tem uma fiscalização sobre isso. Então é isso que a gente vem buscar”, concluiu.

Ao fim do encontro, as associações apresentaram uma carta cobrando a responsabilização dos culpados e afirmando que a demora da Justiça representa uma nova forma de violência contra as famílias das vítimas.

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Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.

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