TJMG decide que disputa pela guarda de cachorro não deve ser tratada no Direito de Família

Tribunal entendeu que casos envolvendo animais de estimação devem ser analisados pelo Direito de Propriedade; decisão também alterou divisão de empréstimo entre ex-casal

Cachorro

A 8ª Câmara Cível Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) rejeitou um pedido de ex-cônjuges que disputavam a guarda de uma cachorra após o fim do relacionamento. Para o tribunal, casos envolvendo animais de estimação não devem ser tratados pelo Direito de Família.

Segundo a relatora do processo, desembargadora Ângela de Lourdes Rodrigues, não existe previsão legal para aplicar a animais institutos como guarda e direito de visitas. Por isso, a discussão deve ser analisada dentro das regras do Direito de Propriedade e das Coisas.Os magistrados entenderam, ainda, que varas especializadas em Direito de Família não são o caminho adequado para esse tipo de disputa.

Leia também:

Com isso, foi anulada a decisão que havia estabelecido a tutela compartilhada da cadela entre o ex-casal.

Dívidas do casal

Além da disputa pelo animal, o processo também discutia a divisão de dívidas após a separação.

Leia também

Na primeira decisão judicial, ficou definido que débitos relacionados a contratos com instituições financeiras e despesas de rescisão de um contrato de aluguel deveriam ser divididos igualmente entre os dois. Também foi determinado que um empréstimo feito pelo ex-sogro seria responsabilidade apenas do ex-marido.

O homem recorreu, alegando que parte do dinheiro foi usada para comprar equipamentos para sua empresa, mas que o lucro da atividade também beneficiava a ex-companheira, que estava desempregada na época. Ele afirmou ainda que já havia quitado R$ 1,5 mil do valor.

Decisão do tribunal

Ao analisar o caso, a relatora considerou que R$ 9,5 mil do empréstimo foram utilizados na compra de máquinas e peças usadas no trabalho do ex-marido. Já o restante do valor, R$ 9 mil, não ficou comprovado que beneficiou apenas ele.Por isso, o tribunal decidiu que essa parte da dívida deverá ser dividida entre os dois.Os desembargadores acompanharam o voto da relatora.A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso. O processo tramita em segredo de Justiça.

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

Ouvindo...