Anestesistas são investigados por manipular escalas e realizar cirurgias simultâneas no SUS em MG

Médica se autodenominava “rainha dos atestados” e médico sugeriu ao filho treinar “entubando velhos sem dentes”

Foram cumpridos quatro mandados de bloqueio e indisponibilidade de bens contra médicos investigados por suspeita de desviar dinheiro público da saúde em Leopoldina, na Zona da Mata mineira. A Operação Onipresença, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), chegou à terceira fase nessa segunda-feira (9). As informações foram divulgadas nesta terça-feira (10).

De acordo com o MPMG, quatro anestesistas são acusados de integrar um grupo criminoso que teria fraudado serviços médicos pagos com recursos do SUS. Segundo as investigações, eles manipulavam escalas de plantão, realizavam cirurgias simultâneas ou em sequência e marcavam cirurgias eletivas durante horários destinados a atendimentos de urgência.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Leopoldina e Além Paraíba.

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De acordo com o MPMG, as irregularidades ocorreram em atendimentos feitos em unidades conveniadas ao SUS e responsáveis por atender a população com recursos públicos.

O que apontam as investigações

Segundo o Gaeco, os médicos combinavam versões, manipulavam documentos e falsificavam registros para sustentar o esquema. Em alguns casos, também tentavam atribuir responsabilidades a pessoas que não tinham relação com os fatos.

As apurações ainda indicam suspeitas de fraudes, ocultação de erros médicos e emissão de atestados falsos para justificar faltas em plantões. Uma das investigadas chegou a se autodenominar, segundo o MPMG, “rainha dos atestados”.

Há também relatos de condutas consideradas graves e antiéticas. Em um dos casos, um médico teria sugerido ao filho, estudante de medicina, treinar procedimentos “entubando velhos sem dentes”. Em outra situação, um profissional teria compartilhado imagem íntima de uma paciente com outra pessoa.

Medidas da Justiça

Além do bloqueio de bens, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e determinou o afastamento dos médicos de hospitais conveniados ao SUS.

Também foi autorizado o compartilhamento das provas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina, além da Gerência Regional de Saúde.

As investigações continuam e não está descartada a participação de outras pessoas no esquema. O Ministério Público orienta que possíveis vítimas ou testemunhas procurem as promotorias da região ou utilizem os canais oficiais do órgão para enviar denúncias ou informações.

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