Justiça anula 1 dia de pena de Ronnie Lessa por participar de concurso de redação

Assassino confesso de Marielle Franco participou de concurso promovido pela Defensoria Pública da União com redação sobre insegurança alimentar

O ex-policial militar Ronnie Lessa está preso desde 2019 por suspeita de participação nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes

A Justiça Federal homologou a remição de um dia da pena do ex-policial militar do Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, por participação em um concurso de redação promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), em 2022. Ele concorreu na 7ª edição do Concurso de Redação promovido pelo órgão, que teve o seguinte tema: “Prato feito: alimentação de qualidade é sinal de dignidade”.

A remição da pena de Lessa foi oficializada na última terça-feira (4) e foi assinada pelo juiz federal da 5ª Vara de Campo Grande, Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini.

Assassino confesso de Marielle Franco, Lessa ainda não foi julgado pelo crime, mas está preso desde 2019 e foi levado em 8 de dezembro de 2020 para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), de segurança máxima. Nesta sexta-feira (7), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes determinou sua transferência para o presídio de Tremembé, em São Paulo.

O ministro também autorizou a derrubada do sigilo dos anexos 1 e 2 da delação premiada de Ronnie Lessa, com os detalhes dados por ele à Polícia Federal sobre o crime.

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O que disse Ronnie Lessa?

Na delação premiada, Lessa disse que o assassinato de Marielle Franco começou a ser planejado cerca de seis meses antes do crime, ainda em 2017, e deu detalhes sobre o envolvimento do delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, que chefiou o órgão.

Segundo ele, os irmãos Brazão, chamados de “padrinhos” por outros envolvidos no caso, se referiam ao delegado como “guru” e “carta branca” e também diziam que a DH [Delegacia de Homicídios] da PC do Rio "é nossa”.

Ele também confessou ter sido o responsável pela contratação de seu ex-colega de farda, Élcio de Queiroz, também preso por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. De acordo com Lessa, no entanto, o ex-policial que atuou como motorista do carro usado no crime não sabia quem seria o “alvo” até o dia da morte da ex-vereadora, em 14 de março de 2018.

"(...) ele sabia que era uma mulher que seria morta e que lá na frente posteriormente, eu daria uma vantagem a ele; não expliquei a ele exatamente no dia do que se tratava, eu desviei muito o assunto, deixei ele meio perdido é a grande verdade; ele não sabia exatamente o que iria ganhar com isso”, afirmou aos policiais federais.


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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

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