Carros híbridos flex: união do etanol à eletricidade é aposta para conter emissão de gases poluentes

Produção de etanol bateu recordes no país entre o fim de 2023 e o início deste ano; setor evita estabelecer dicotomia a veículos elétricos e prega soma de esforços

Produção de etanol bateu recorde na última safra

O setor responsável pela produção de biocombustíveis aposta que a indústria automotiva nacional vai ampliar a aposta nos chamados carros híbridos flex, movidos por uma espécie de junção entre o etanol e a eletricidade. A avaliação é que a união entre os dois modelos ajuda a diminuir a emissão dos gases do efeito estufa.

Dados da safra 2023-2024 de biocombustíveis, que terminou como a maior da história, apontam que o uso das fontes renováveis evitou o envio, à atmosfera, de 44 milhões de toneladas de gás carbônico. Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), não é razoável estabelecer uma dicotomia entre os biocombustíveis e os veículos eletrificados.

“Não tenho dúvida que, em um curto espaço de tempo, vamos ver uma série de veículos híbridos utilizando etanol no Brasil. Veículos flex híbridos. Há várias montadoras anunciando, porque, de fato, essa condição, no Brasil, faz com que um veículo híbrido usando 100% de etanol seja algo próximo do que a gente tem de mais eficiente em termos de emissão por quilômetro rodado”, diz, à Itatiaia.

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Um levantamento da Unica indica que os frutos da última safra de biocombustíveis fez com que a presença do etanol no mercado gerasse economia de R$ 7 bilhões aos condutores. As distribuidoras do país misturam o insumo à gasolina desde 1931.

De acordo com Luciano Rodrigues, os governos devem incentivar políticas públicas de incentivo à diminuição dos níveis de emissão de carbono. Por isso, a simpatia à união entre etanol e eletricidade. O dirigente afirma que as particularidades do Brasil têm de ser levadas em conta ao analisar os caminhos para o aumento do uso de veículos “amigos” do meio ambiente.

“Se eu pegar, hoje, um veículo flex rodando no Brasil com etanol, ela é mais eficiente, em termos de emissão, por quilômetro, do que um veículo elétrico rodando na Alemanha, que ainda tem grande parte da energia elétrica gerada por queima de carvão, gás ou de óleo combustível. Então, aí não adianta não ter emissão no veículo, mas ter uma emissão a 200 quilômetros queimando combustível fóssil”, compara.

Da cana-de-açúcar ao milho

A safra 2023-2024 teve a produção de 33,6 milhões de litros de etanol. A produção do líquido, historicamente advinda do cultivo de cana-de-açúcar, tem ganhado, recentemente, novos contornos. Isso porque há, também, o beneficiamento do etanol de milho.

No último período produtivo, cerca de 18% do etanol veio do milho de segunda safra, colhido de maio a setembro.

“Há um esforço do setor produtivo para expandir sua capacidade. Tivemos, também, a ajuda de São Pedro. Foi um ano muito bom sob o ponto de vista climático. A produtividade nas lavouras, nos canaviais, cresceu cerca de 20%, o que facilitou nesse resultado recorde”, aponta Rodrigues.

O Brasil tem, ao todo, mais de 300 plantas produtivas de etanol. A cadeia de beneficiamento e entrega do insumo emprega, ao todo, mais de 2,3 milhões de pessoas, direta ou indiretamente.

‘Combustíveis do futuro’

Em meio ao “boom” dos carros elétricos e da ampliação do terreno dado aos debates sobre a renovação da matriz energética brasileira, tramita, no Congresso Nacional, o projeto de lei dos Combustíveis do Futuro. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados no mês passado e encaminhado ao Senado Federal, cria, por exemplo, um programa nacional de diesel verde. Há, ainda, menção ao aumento da participação do etanol na mistura à gasolina — e do biodiesel na mistura ao diesel.

Se o texto for definitivamente aprovado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a porcentagem de mistura do etanol à gasolina vai pular de 22% para 27%, com a possibilidade de chegada do índice a 35%.

Segundo Luciano Rodrigues, o PL dos Combustíveis do Futuro é essencial para dar segurança aos investimentos em biocombustíveis. Em outra frente, ele relaciona à proposta às alternativas para a redução da propagação de poluentes.

“O mais importante dos Combustíveis do Futuro na mobilidade é a necessidade de que as políticas públicas voltadas à indústria automotiva comecem a olhar a combinação veículo e combustível que proporcione a menor emissão de gases de efeito estufa por quilômetro rodado. Isso é fundamental, porque etanol, bioenergia e biocombustíveis são de baixo carbono. Aí, a gente começa a ter veículos mais eficientes e energia com menos emissão, de tal maneira que o resultado seja menor emissão de gases de efeito estufa por quilômetro rodado, que é o que interessa”, indicou.


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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

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