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Casa da Filarmônica, Sala Minas Gerais terá gestão compartilhada e receberá outros eventos

Acordo entre a Codemig e o Sesi Minas foi assinado nesta sexta-feira (5) e também prevê administração compartilhada da Mineiraria

A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e o Sesi Minas assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para administrarem, de forma conjunta, a Sala Minas Gerais.

O prédio, inaugurado em fevereiro de 2015, recebe, atualmente, concertos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Outro edifício, que também fica no mesmo quarteirão, no chamado Centro Cultural Presidente Itamar Franco, a Mineiraria, também será administrada de forma conjunta entre os dois órgãos e deve receber uma escola de gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A assinatura do acordo aconteceu nesta sexta-feira (5), na própria Sala Minas Gerais. Com quase 1.500 lugares, a avaliação da Codemig é que o prédio é subutilizado e tem custo de manutenção alto, de R$ 4,5 milhões por ano.

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"É um prédio magnífico que foi construído para ser o templo da cultura aqui em Belo Horizonte e, infelizmente, na nossa avaliação, ele está subutilizado. Mas existem inúmeras possibilidades, claro que mantendo a Filarmônica aqui conosco, mas potencializando todos os usos possíveis e tornando aqui um espaço vivo da cultura”, defendeu o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.

A partir de agora, o prédio será utilizado para outros tipos de eventos musicais, espetáculos culturais, além de eventos corporativos e empresariais. Na área externa da Sala Minas Gerais, o espaço poderá ser utilizado para a realização de festivais de música, gastronomia, literatura, teatro e empreendedorismo.

“Essa iniciativa, beneficiando-se da competência reconhecida do Sesi no âmbito cultural, especialmente exemplificada por sua gestão do Teatro Sesi Minas, um sucesso de público, com lotação máxima prevista até o final do ano, visa enriquecer e diversificar as ofertas culturais, reforçando a democratização e a variedade no panorama artístico”, afirmou o presidente da Codemig, Thiago Toscano.

Em resposta, o Instituto Cultural Filarmônica informou que só ficou sabendo do acordo através da imprensa e que não sabia dos termos assinados.

Veja a nota completa da Filarmônica:

O Instituto Cultural Filarmônica, responsável pela gestão da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e de sua sede, a Sala Minas Gerais, informa não ter participado de qualquer fase das negociações e que só tomou conhecimento pela imprensa do “Acordo de Cooperação Técnica para Gestão Compartilhada da Sala Minas Gerais e Mineiraria” entre a CODEMIG e a FIEMG/Sesi Minas, tendo tido acesso ao documento somente após a sua assinatura em evento promovido pela Codemig e Fiemg.

O ICF esclarece que participou de edital, lançado pelo Governo de Minas Gerais em 2020, para a seleção pública de entidade para operação e manutenção da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, juntamente com a gestão, operação e manutenção da Sala Minas Gerais, tendo sido a instituição vencedora deste chamamento público.

A Sala Minas Gerais já possui uma ocupação por parte da Filarmônica de 270 dias por ano, sendo mais de 80 apresentações nas tradicionais séries de concertos com a presença de convidados de renome internacional e um público anual de cerca de 100.000 pessoas, além de ensaios e ações educacionais gratuitas, como os Concertos para a Juventude e os Concertos Didáticos. A sala de concertos é também o local para a gravação de todos os álbuns da Filarmônica, totalizando 12 lançamentos internacionais, com uma indicação ao Grammy Latino em 2020. Em meio à pandemia, recursos captados pelo ICF permitiram a instalação na Sala Minas Gerais de seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos - até o momento foram realizadas quase 100 transmissões e gravações, promovendo um alcance nacional e internacional da Orquestra para milhares de pessoas, tendo obtido dois reconhecidos prêmios por essa ação. Implementada em 2021, a Academia Filarmônica também tem como sede a Sala Minas Gerais para a realização das suas atividades educacionais e apresentações, com o uso diário de diferentes espaços pelos alunos. Além destas atividades promovidas pelo Instituto Cultural Filarmônica e pela Orquestra, a Sala Minas Gerais é também palco para diferentes eventos corporativos e culturais, sendo uma importante fonte de receita para a sustentabilidade do espaço e da própria Orquestra.

Uma gestão compartilhada com outra instituição, como a FIEMG/Sesi Minas poderia ser oportuna desde que seja para contribuir, como fazem as grandes empresas de São Paulo parceiras das orquestras, nos esforços que o ICF vem empreendendo em favor da sustentabilidade da Filarmônica, de sua programação artística e da utilização da Sala Minas Gerais para os objetivos que motivaram a sua construção, concebida para ser a sede da Filarmônica e realização de suas atividades, cumprindo, assim, seu papel como importante agente da política cultural do Estado.

A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala e Orquestra vêm transformando a capital mineira e o Estado de Minas Gerais em polo da música sinfônica, com reflexos positivos no turismo, no comércio, nos serviços e na geração de empregos, criando riqueza e promovendo o nome do Estado no cenário internacional.


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Eustáquio Ramos é repórter e apresentador da Itatiaia
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