O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (27), em entrevista exclusiva à Itatiaia, que a proposta apresentada pelo governo federal para renegociar as dívidas dos estados terá como foco principal alavancar os investimentos no ensino profissional.
Haddad detalhou o projeto discutido com os governadores e que será apreciado pelo Congresso e alfinetou o governador Romeu Zema (Novo) sobre a falta de iniciativa para buscar uma solução para o problema durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“São duas propostas básicas. A primeira é um grande Prouni nacional, que você vai trocar a dívida por educação profissional. Com isso vamos reduzir os juros pagos hoje, de 4% acima da inflação, juros elevados. Mas essa redução tem que vir acompanhada de contrapartida com foco na juventude brasileira. Essa juventude que não estuda e não trabalha, que precisa de uma oportunidade”, afirmou Haddad.
“Essa é uma troca justa, que dá sustentabilidade para os estados endividados. Coisa que não foi feita no período anterior. Você veja que o governador Zema jamais foi recebido pelo governo anterior para discutir essa questão da dívida, também não procurou. Não houve nenhuma negociação em torno da dívida de Minas”, continuou o ministro da Fazenda.
Nesta terça-feira (26), o governador Romeu Zema defendeu que o investimento no ensino técnico, em troca do abatimento nos juros da dívida do Estado com a União, seja retroativo a 2018 em Minas Gerais.
Ele esteve em Brasília para
Zema afirmou, em resposta, que em 2019 esteve no STF para discutir sobre a dívida. “Essa conversa é longa e estamos em busca da solução desde o início do mandato, com ambas as gestões do governo federal”, disse o governador. Leia a nota completa de Zema abaixo:
“Esse é um problema que se arrasta desde 1998 sem solução. Resolver essa questão precisa de muito diálogo e vontade política. No meu primeiro ano de mandato, em 2019, estive no STF, também no governo federal para discutir esse assunto. Ainda na gestão passada começamos essa discussão sobre nossa adesão ao RRF, que inclusive já passou por um aperfeiçoamento durante a gestão do governo federal anterior. Nesse período aprovamos planos no tesouro Nacional, discutimos a aquisição pelo Governo Federal, junto com o BNDES, da Codemig. Essa conversa é longa e estamos em busca da solução desde o início do mandato, com ambas as gestões do Governo Federal. O que nos trouxe até o ponto atual foi esse esforço. Se não tivéssemos começado e fortalecido a discussão junto com os Estados do Cosud não teríamos chegado até aqui. Apesar de ter tomado todo este tempo, estou confiante que, neste terceiro mandato, o Presidente Lula, junto com seus Ministros trarão uma solução que os estados já aguardam há vários anos. Estou feliz que nosso diálogo nos trouxe ate aqui e permaneço à disposição para essa construção”.