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Enem: 4 das 60 redações nota 1000 são da escola pública; ministro não cita ações para diminuir discrepância

Resultados do Enem 2023 publicados nesta terça-feira (16) indicam a diferença de desempenho entre alunos das escolas pública e particular

Brasília (DF), 16/01/2024 - O ministro da Educação, Camilo Santana, durante entrevista coletiva para divulgar os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro da Educação, Camilo Santana, apresentou os resultados do Enem 2023 nesta terça-feira (16) e pontuou que maior preocupação do MEC, hoje, é em relação à grande divergência entre números de inscritos e de participantes

Marcelo Camargo | Agência Brasil

A apresentação dos resultados da última edição do Enem, a primeira desde o início do terceiro governo Lula (PT), retratou a discrepância entre os alunos da escola pública que obtêm a nota máxima na redação e os matriculados na rede particular. Apenas quatro das 60 redações nota mil foram escritas por estudantes da rede pública; número equivale a menos de 7% do total, segundo levantamento do Inep, responsável pela elaboração e aplicação, publicado nesta terça-feira (16).

Questionado sobre a desigualdade refletida nesses números e possíveis medidas do Ministério da Educação para aumentar o número de alunos da rede pública com desempenho máximo da redação, o ministro Camilo Santana não soube pormenorizar ações que podem ser implementadas para corrigir a distorção. “A educação é um processo continuado. Você tem que ver todas as fases e os anos letivos. Para nós, o maior programa construído com as redes no ano passado foi o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada”, citou. “Então, quando a criança aprende a ler e a escrever na idade certa, há melhoria no aprendizado em todos os anos letivos”, pontuou. “Todos os esforços são importantes nesse sentido. Precisa começar desde o início dos anos fundamentais para ter um resultado ao final do ensino médio”, acrescentou.

Apesar de não ter apresentado ações práticas para os próximos três anos de governo que visem a correção dessa distorção, o ministro admitiu que o MEC ‘pode pensar’ em medidas para estimular o desempenho dos alunos na redação. “Sei que tem muitas iniciativas estaduais e municipais de estímulo aos jovens que vão fazer o Enem. Podemos pensar para estimular, focado na redação”, ponderou.

As quatro redações de alunos da escola pública que alcançaram a nota máxima do Enem são de estudantes dos estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins. Em Minas Gerais, dois matriculados na rede particular tiraram 1000 no Enem. O Estado, aliás, perde para São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Piauí, Pará, Goiás, Ceará e Bahia na quantidade de notas máximas. A seguir, confira a lista de 1.000 no Enem por estado:

  • Acre: 0;
  • Alagoas: 0;
  • Amazonas: 1;
  • Amapá: 0;
  • Bahia: 4;
  • Ceará: 4;
  • Distrito Federal: 1;
  • Espírito Santo: 2 (uma delas, na rede pública);
  • Goiás: 4;
  • Maranhão: 0;
  • Minas Gerais: 2;
  • Mato Grosso do Sul: 0;
  • Mato Grosso: 0;
  • Pará: 3;
  • Paraíba: 0;
  • Pernambuco: 2;
  • Piauí: 6;
  • Paraná: 0;
  • Rio de Janeiro: 7 (uma delas, na rede pública);
  • Rio Grande do Norte: 6 (uma delas, na rede pública);
  • Rondônia: 0;
  • Roraima: 0;
  • Rio Grande do Sul: 6;
  • Santa Catarina: 1;
  • Sergipe: 3;
  • São Paulo: 7;
  • Tocantins: 1 (uma delas, na rede pública).
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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