Barroso sobre Bolsonaro: ‘elegeu o Supremo como seu adversário’

Presidente do STF diz que ex-chefe do Executivo ‘atacava o tribunal’ e cometia ‘incivilidades’ contra ministros

Barroso acredita que postura de Bolsonaro contribuiu para acidentar relação com parte dos congressistas

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “elegeu o Supremo como seu adversário”. Em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo neste domingo (31), Barroso avaliou a relação do Judiciário com os poderes Executivo e Legislativo.

Segundo o ministro da Suprema Corte, houve identificação de parte do eleitorado ante o tratamento dispensado por Bolsonaro ao STF.

“O ex-presidente atacava o tribunal e ofendia seus integrantes com um nível de incivilidade muito grande. Em qualquer parte do mundo, isso seria e apavorante”, avaliou.

Para Barroso, o comportamento de Bolsonaro encontra eco em parte dos integrantes do Congresso Nacional, visto que, a reboque do ex-presidente, o PL tem, por exemplo, a maior fatia dos assentos da Câmara dos Deputados.

"É natural que estes parlamentares queiram corresponder às expectativas dos seus eleitores que acham que o Supremo é parte do problema”, pontuou.

O presidente da corte diz que a ideia é mostrar, a representantes da classe política e aos eleitores, que o STF é importante para o correto funcionamento das instituições que compõem a engrenagem democrática.

“O Supremo tem feito muito bem ao país. Na defesa da democracia, nós prestamos um serviço importante. Não acho que o STF acerta sempre, como uma instituição humana, ele tem falhas. Num colegiado, pessoas têm ideias próprias, às vezes um de nós diverge de alguma linha que prevaleça, ninguém é dono da verdade”, assinalou.

Relação com Pacheco

No fim de novembro, o Senado Federal aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita poderes da Suprema Corte e restringe os efeitos das decisões monocráticas dos ministros.

À Folha, Barroso chamou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de “uma liderança importante e extremamente civilizado e educado”.

“Ele (Pacheco), presidente de uma Casa, procura, em alguma medida, expressar o sentimento dominante naquela Casa. O que eu verbalizei mais uma vez é que mexer no Supremo, no ano em que foi invadido por golpistas antidemocráticos, é uma simbologia ruim”, considerou.

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

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