Juiz dá prazo para parlamentares justificarem informação em ação contra aumento das passagens na Grande BH

Magistrado deu 15 dias para explicação ou retificação do valor estimado pelos parlamentares para a causa; tarifa-base subiu para R$ 7,70

Aumento das passagens dos ônibus metropolitano já está em vigor

O juiz plantonista Rogério Santos Araújo Abreu deu 15 dias para parlamentares do PT e do PV que acionaram o Judiciário contra o aumento das tarifas dos ônibus que fazem itinerários na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) possam explicar o valor financeiro dado à causa. Eles podem, se quiser, retificar a estimativa a fim de garantir o prosseguimento da ação. A decisão do magistrado foi tomada na tarde dessa sexta-feira (29), horas após o pedido de veto ao reajuste ter sido protocolado.

Segundo o deputado federal Rogério Correia (PT), um dos autores da ação, a solicitação do juiz já foi atendida. O grupo, agora, espera uma decisão a respeito da manutenção, ou não, do aumento.

O valor da causa é uma estimativa utilizada para projetar o tamanho financeiro do assunto em disputa. Ainda que a ação não trate diretamente de recursos monetários, a definição desse valor serve, por exemplo, para nortear os cálculos dos custos do processo.

O governador Romeu Zema (Novo) e o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Pedro Bruno, são mencionados na ação dos petistas. A tarifa-base dos coletivos metropolitanos subiu de R$ 7,20 para R$ 7,70. O novo valor significa majoração de 7,15% no valor médio pago pelos usuários.

“Como previsto em nossa legislação processual, a toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível (art. 291, do Código Processual Penal - CPC). Todavia, da análise da peça exordial, infere-se que o valor atribuído à causa pela parte autora se deu de forma aleatória e sem observância as disposições do art. 292, incs. I a VIII, do CPC, razão pela qual, em atenção ao §3º da aludida norma processual, determino que a parte autora, no prazo de 15 dias, justifique de forma clara e fundamental o valor dado à causa e/ou proceda a emenda da inicial com adequação do seu respectivo valor”, lê-se na decisão do juiz Rogério Abreu.

A ação contra o aumento das tarifas dos ônibus metropolitanos é assinada pelos deputados Rogério Correia, Macaé Evaristo, Beatriz Cerqueira e Andréia de Jesus — todos do PT — além da deputada estadual Lohanna França. Os vereadores Bruno Pedralva e Pedro Patrus, do PT belo-horizontino, também subscrevem o pedido.

"É um aumento injustificável e que afetará uma enorme massa de trabalhadores de 34 municípios que necessitam circular diariamente pela Grande BH, em veículos completamente precários”, disse Rogério Correia, ao solicitar a revisão do aumento.

Governo diz ter barrado reajuste maior

Os novos valores das passagens metropolitanas vão de R$ 5,25 a R$ 7,10. A maioria dos itinerários afetados está no rol dos que custavam R$ 7,20 e, agora, custam R$ 7,70.

Ao anunciar o reajuste, a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade de Minas afirmou ter conseguido vetar reajuste de 29,13% reivindicado pelas empresas que operam os ônibus. Assim, a tarifa que custava R$ 7,20 passaria a R$ 9,30.

“O reajuste anual é necessário para garantir a operacionalização do sistema e leva em consideração a inflação para o período, a atualização dos insumos de maior peso por meio de índices correlatos e a correção dos demais itens da planilha contratual de custos pelo índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA”, lê-se em nota do governo mineiro.

Deputados tentam emplacar CPI

Na Assembleia Legislativa, deputados de oposição a Zema tentam emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as empresas que administram os coletivos metropolitanos. Para que um comitê do tipo seja aberto, ao menos 26 dos 77 deputados estaduais precisam concordar com a ideia. Até o momento, 16 parlamentares assinaram pedido pela abertura da CPI.

“Mais uma vez, a gente vê o aumento no preço do transporte acontecer sem que se faça uma revisão do contrato ou uma auditoria. Nada. Isso faz com que a CPI seja ainda mais urgente”, afirmou, nesta semana, a deputada Bella Gonçalves (Psol), que encabeça as costuras em prol da investigação.

Em Belo Horizonte, vale lembrar, a prefeitura conseguiu reverter a decisão judicial que suspendia o aumento das passagens, que passaram de R$ 4,50 para R$ 5,25.

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.

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