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‘Ausência de Lula em relação a Minas é histórica’, analisa cientista político

Cientista político Paulo Diniz faz um balanço do primeiro ano do governo Lula

Presidente Lula

Em balanço sobre o primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua terceira passagem pelo Palácio do Planalto, o cientista político Paulo Diniz aponta como ponto positivo a relação construída pelo petista com o Congresso e com o Judiciário. Já nos investimentos, o especialista cita uma “ausência histórica” de Lula em relação a Minas Gerais.

“Minas é uma situação especial, porque a ausência de Lula em relação à Minas é histórica. Apesar de Zema ter um pouco de má vontade para falar com Lula, Lula tem má vontade também, pensando em 10, 15, 20 anos, a presença de Lula aqui sempre foi muito pouca. A destinação de recursos, a realização de grandes projetos, sempre ficou devendo em Minas Gerais”, diz o cientista político. Em seu retorno ao Planalto, Lula não visitou o estado em 2023.

Relação com o Congresso

Para Diniz, o presidente entendeu que precisaria ser flexível na relação com o Congresso Nacional, uma vez que os parlamentares ganharam uma força significativa nos últimos anos.

“O presidente Lula mudou, mas foi necessário mudar. Ele tem o mérito de ter se adaptado bem às mudanças estruturais pelas quais o país passou de 2016 até os dias de hoje. Hoje temos um Congresso bastante diferente do que existia até 2010, temos um Congresso mais protagonista. Me surpreendi positivamente, ele soube ser flexível, ele soube encontrar um espaço de equilíbrio com esse novo Congresso e o ano de 2023 foi bastante produtivo nessa relação de Legislativo e Executivo”, afirmou Diniz.

“A relação com o centrão foi positiva, porque cada parte conseguiu o que queria. O Legislativo está mais propositivo e protagonista, se coloca como um espaço de poder, não só para conquistar espaço no governo, mas para apresentar propostas. Por exemplo, a Reforma Tributária teve mudanças significativas, assim como o arcabouço fiscal. Mudanças que partiram do Congresso”, concluiu o cientista político.

Comparação com Bolsonaro

Em comparação com seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Paulo Diniz avalia que Lula ganhou espaço nas disputas políticas polarizadas do país.

“Eu acho que Lula está bem mais poderoso politicamente do que Bolsonaro. Não só porque é presidente, mas porque fala de coisas concretas, durante a campanha citava o preço da picanha e da cerveja, já Bolsonaro persiste em um discurso de valores, de comportamentos, que não tem um impacto na qualidade de vida das pessoas. Com o passar do tempo esse discurso não se renovou e dificilmente as pessoas enxergam esse discurso como melhoria na qualidade de vida. Claro que existe um grupo de 15% ou 17% que são bolsonaristas empedernidos e radicais, esses continuam com Bolsonaro. Mas, em termos de expansão, de uma possível eleição futura, não vejo Bolsonaro conseguindo ir além”, afirmou.

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