O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), criticou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o programa “Bom Dia, Ministro” nesta quarta-feira (26). O ex-governador do Maranhão também respondeu sobre o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de encerrar as atividades dos clubes de tiro no Brasil em meio à
Sobre Bolsonaro, Dino disparou que o ex-presidente agiu com “picaretagem”. “Nós não fazemos picaretagem com a bandeira da segurança pública. Chamo de picaretagem porque é retórico. Quando cheguei ao Ministério da Justiça havia R$ 3 bilhões parados e que efetivamente não chegaram aos estados e aos municípios. Isso é cuidar da segurança pública?”, indagou. “Esse pessoal ficava na internet, nas lives, nos cercadinhos e o dinheiro parado”.
O ministro de Lula também criticou a antiga política que facilitava o acesso da população às armas de fogo. “Não é essa ideia de dar uma arma para cada cidadão que diminuirá a criminalidade. Esse discurso é desrespeitoso com as polícias. Confiamos nas polícias e queremos armas nas mãos certas”, declarou.
Em relação à declaração do presidente Lula nessa terça-feira (25), que apoiou o fechamento de “quase todos” os clubes de tiro, o ministro adotou um discurso mais apaziguador e garantiu que só serão encerradas as atividades dos que não cumprem a legislação. “Os clubes de tiro cresceram nos últimos anos sem regulamentação. Então, você tem clubes sérios e dedicados à prática esportiva, mas tem também aqueles que implantaram atividades ilegais, desviando armas para quadrilhas e facções criminosas”, afirmou.
“Estamos preocupados com a situação dos clubes de tiro que não cumprem a lei. A determinação do presidente Lula será cumprida. O presidente deu a diretriz de intensificar as fiscalizações nos clubes de tiro. Aqueles que não cumprem a lei serão obviamente fechados”, garantiu.
Novo decreto de armas no Brasil
À contramão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pôs fim às normas que ampliavam o acesso às armas de fogo pela população no Brasil e publicou na última sexta-feira (21) um novo decreto para o controle de armas no país. A alteração integra o pacotão do Ministério da Justiça intitulado Programa Ação na Segurança Pública (PAS) e lançado em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Além do novo decreto de armas, a política pública também mira os atos antidemocráticos do 8/1 com punições mais severas para os acusados de atentar contra o Estado Democrático de Direito e a segurança nas escolas.
As medidas de restrição de acesso às armas no país foram sancionadas um dia após o Anuário Brasileiro de Segurança Pública detalhar que as licenças para armamentos aumentaram cerca de sete vezes no governo do ex-presidente Bolsonaro — eram 117,5 mil registros de caçadores, atiradores e colecionadores em 2018; número que chegou a 783,4 mil no ano passado.