Vacina contra giárdia: vale a pena aplicar no meu pet?

Diferentemente de outras vacinas do protocolo básico, a vacina contra giárdia não impede totalmente a infecção, mas ajuda a reduzir a eliminação de cistos e a gravidade dos sintomas

O consenso entre órgãos oficiais e profissionais é claro: a vacina contra giárdia não substitui vermifugação, higiene e tratamento adequado, mas pode ser uma ferramenta complementar em contextos específicos

A literatura, incluindo materiais como os da Biopet, World Veterinária e artigos da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), classifica a giardíase como uma das principais causas de diarreia e uma das parasitoses mais comuns na clínica médica canina. Causada pelo protozoário Giardia duodenalis, a infecção provoca diarreia, fezes pastosas ou com muco, perda de peso e, em filhotes, pode comprometer o desenvolvimento.

Diante da recorrência da doença, muitos tutores optam por vacinar o pet contra a giárdia. Mas há um debate entre veterinários. Diferentemente de outras vacinas do protocolo básico, a vacina contra giárdia não impede totalmente a infecção, mas pode atuar na redução da eliminação de cistos e na gravidade dos sintomas, o que diminui a contaminação ambiental e o impacto clínico da doença.

Em nota técnica sobre parasitoses intestinais, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) explica que “a giardíase é uma enfermidade de transmissão fecal-oral, favorecida por ambientes com alta circulação de animais e higiene inadequada”, reforçando que a prevenção envolve manejo ambiental, higiene e controle sanitário, e não apenas vacinação.

Essa visão é compartilhada por médicos-veterinários que atuam na clínica de pequenos animais. Em entrevista ao Cães & Gatos, a médica-veterinária Juliana Damasceno afirma que “a vacina contra giárdia não impede que o animal entre em contato com o protozoário, mas pode reduzir a intensidade da infecção e a quantidade de cistos eliminados nas fezes”, o que ajuda no controle coletivo da doença.

O Manual de Doenças Parasitárias em Cães, publicado pelo CRMV-SP, também ressalta que a vacinação “não substitui medidas básicas de prevenção, como limpeza adequada do ambiente, oferta de água tratada e controle de fezes”. Essa orientação destaca que o uso da vacina deve ser avaliado caso a caso.

É justamente nesse ponto que está a principal controvérsia. A vacina não é indicada de forma rotineira para todos os cães, mas pode ser considerada em situações específicas, principalmente quando o risco de exposição é alto.

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A Itatiaia listou em quais contextos veterinários costumam avaliar a indicação da vacina:

  • Cães que frequentam creches, hotéis, parques e locais com grande circulação de animais, onde a reinfecção é frequente
  • Ambientes com histórico recorrente de giardíase, mesmo após tratamento correto
  • Cães que vivem em canis, abrigos ou lares temporários, com maior risco de contaminação cruzada
  • Animais com episódios repetidos de diarreia por giárdia, associados a manejo ambiental difícil
  • Casos em que o veterinário busca reduzir a eliminação de cistos no ambiente, como estratégia complementar de controle

Sobre segurança, o CRMV-SP informa que os efeitos colaterais da vacina contra giárdia, quando ocorrem, costumam ser leves e transitórios, como dor no local da aplicação, apatia ou discreta febre. Eventos adversos graves são raros, mas devem ser comunicados ao veterinário.

Outro ponto que gera buscas frequentes é o preço da vacina de giárdia. Clínicas veterinárias no Brasil costumam cobrar valores variáveis, dependendo da região e da marca utilizada, mas o custo geralmente é superior ao das vacinas essenciais, o que reforça a importância de avaliar custo-benefício antes da aplicação.

O consenso entre órgãos oficiais e profissionais é claro: a vacina contra giárdia não substitui vermifugação, higiene e tratamento adequado, mas pode ser uma ferramenta complementar em contextos específicos. A decisão, lembra o CRMV-SP, é sempre tomar essa decisão com orientação veterinária, considerando o histórico do animal e o ambiente em que ele vive.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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