Cão que não cura da giárdia? Entenda o perigo da reinfestação ambiental e como resolver

Muitas vezes o tratamento medicamentoso falha porque o cão ingere os cistos novamente no próprio ambiente; saiba por que o cloro não funciona e como eliminar a giárdia da sua casa de vez

Quando o pet se lambe ou morde um objeto contaminado, ele se reinfecta, e sem uma limpeza rigorosa, o animal entra em um ciclo vicioso de cura e contágio que parece não ter fim

Você seguiu à risca a medicação passada pelo veterinário, mas, poucas semanas depois, os sintomas voltaram? Esse cenário é mais comum do que se imagina. Para combater a giárdia canina, o remédio é apenas uma parte do tratamento. O verdadeiro desafio está no ambiente, pois os cistos desse protozoário são muito resistentes e podem sobreviver por meses em superfícies úmidas e frias.

A giárdia é transmitida pela via fecal-oral. O cão elimina cistos infectantes nas fezes que, por serem microscópicos, aderem facilmente ao pelo do animal, aos brinquedos, caminhas e até nas fendas do piso. Quando o pet se lambe ou morde um objeto contaminado, ele se reinfecta, e sem uma limpeza rigorosa, o animal entra em um ciclo vicioso de cura e contágio que parece não ter fim.

“A giárdia é um dos maiores desafios na clínica porque o ciclo de reinfecção é muito rápido. O cão se cura com o remédio, mas se lambe ou morde um brinquedo contaminado e volta ao estágio inicial”, explica a Maria Alice Baltazar, médica veterinária com experiência em infectologia pet.

Um dos maiores erros dos tutores é acreditar que a água sanitária comum resolve o problema. No entanto, os cistos de giárdia possuem uma parede protetora que os torna resistentes ao cloro.

Para saber como eliminar a giárdia do ambiente, o padrão ouro indicado por manuais de saúde animal, como o Manual Merck de Veterinária, é a amônia quaternária. Esse composto químico é capaz de romper a membrana do cisto.

“O cloro doméstico não tem eficácia comprovada contra os cistos de giárdia. Recomendamos produtos à base de cloreto de benzalcônio, a amônia quaternária, para desinfetar áreas de circulação”, orienta o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) em guias de saúde pública.

Além disso, o uso de água fervente acima de 60°C em objetos que suportam calor, como comedouros e bebedouros de cerâmica ou inox, é uma estratégia física eficaz na desinfecção.

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A Itatiaia preparou um passo a passo de limpeza para a giárdia. Confira:

Desinfecção química

Lave o quintal e as áreas onde o pet circula com amônia quaternária, deixando o produto agir pelo tempo indicado no rótulo, geralmente 15 a 20 minutos antes de enxaguar.

Cuidado com os têxteis

Lave caminhas, mantas e capas de sofá com água quente e, se possível, seque ao sol forte ou em secadoras de alta temperatura.

Higiene do pet

Durante o tratamento, é muito importante dar banhos no cão, especialmente na região perianal, para remover cistos presos ao pelo, e consulte o veterinário sobre o uso de shampoos à base de clorexidina.

Muitas vezes, a reinfestação acontece fora de casa. Ao passear, o cão pode pisar em gramados ou calçadas onde outros animais infectados defecam. Então como higienizar as patas após o passeio?

Evite apenas o lenço umedecido comum, que não mata o protozoário. Utilize soluções antissépticas veterinárias ou água e sabão neutro, secando muito bem as patas em seguida, já que a umidade favorece a sobrevivência da giárdia.

A limpeza ambiental deve ser feita simultaneamente ao tratamento de todos os animais da casa, mesmo os que não apresentam sintomas. Se um pet continuar eliminando cistos, o ambiente nunca estará limpo, alerta o CRMV-SP.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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