Cão Orelha: famílias de adolescentes suspeitos dizem que garotos são ‘inocentes’

Cão Orelha foi brutalmente agredido na Praia Brava, em Santa Catarina

Cão Orelha foi brutalmente agredido

As famílias de dois adolescentes que são suspeitos de agredirem brutalmente o cão Orelha, na Praia Brava, em Santa Catarina, se manifestaram e disseram que os garotos são inocentes. O cachorro não resistiu aos ferimentos e precisou passar por eutanásia.

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso e realizou buscas na casa de quatro adolescentes suspeitos nesta segunda-feira (26).

Familiares de dois dos adolescentes supostamente envolvidos na ação se manifestaram por meio de nota nesta segunda-feira (26). Eles reiteraram que os garotos não tiveram envolvimento no crime.

“Queremos afirmar com toda a veemência que nosso filho não tem qualquer relação com esse fato, não participou e não colaborou de nenhuma forma para que ocorresse”, disse uma das famílias.

Já a outra família afirmou que é frequentadora da Praia Brava há mais de 10 anos e jamais teve problemas de convívio no local.

“Somos uma família discreta, construímos nossa vida com muito trabalho, com valores que buscamos transmitir aos nossos filhos. Por isso, toda essa avalanche de informações desencontradas, acusações sem provas e ameaças de violência física à nossa família e amigos nos abala profundamente”, afirmaram.

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Leia as notas na íntegra:

“COMUNICADO À SOCIEDADE

Nos últimos dias, nossa família tem vivido um pesadelo, um massacre nas redes sociais, a partir da acusação injusta e absurda de que nosso filho, Igor, teria participado de uma violência contra o cão Orelha. Queremos afirmar com toda a veemência que nosso filho não tem qualquer relação com esse fato, não participou e não colaborou de nenhuma forma para que ocorresse.

Nossa família não aceita qualquer tipo de violência, e os maus-tratos a animais nos dói profundamente, porque somos tutores de três cachorros que amamos – o Maui, de 9 anos, a Nana, de 7 anos, e a Coca-Cola, de 5 anos – sem falar naqueles que nos acompanharam ao longo dos anos, sempre como parte da família.

Muitas pessoas nos questionaram sobre os motivos de termos ficado em silêncio até agora. Mas é muito difícil se manifestar enquanto nas redes sociais e em parte da imprensa se espalham fragmentos de vídeos indevidamente associados aos fatos e informações desconexas e não checadas, que levam a interpretações equivocadas, julgamentos precipitados e reações violentas.

Para se ter ideia da desinformação, ao mesmo tempo em que acusam nosso filho, apresentam como evidências um vídeo no qual ele não aparece e fotos sem relação alguma com o fato. Locais onde teria ocorrido a agressão, pessoas envolvidas e supostas imagens variam conforme cada post. Nossos nomes, CPFs e endereços estão expostos por pessoas que sequer nos conhecem ou tentaram nos ouvir.

Entretanto, diante da gravidade dos ataques e das ameaças à integridade física da nossa família, decidimos nos manifestar para afirmar à sociedade que nosso filho é inocente e que confiamos que tudo será devidamente esclarecido pelas autoridades e na Justiça.

Nós também queremos que se faça Justiça para o Orelha. Repudiamos a violência e os maus-tratos a toda e qualquer forma de vida. Pedimos a todos que reflitam o quanto de desinformação, falta de provas e agressões irresponsáveis estão nesses conteúdos que circulam nas redes e não compartilhem o que pode prejudicar e ferir pessoas inocentes, sobretudo menores de idade. Reiteramos que estamos à disposição das autoridades e colaborando para que a verdade sobre o que aconteceu com o Orelha venha a público o mais rápido possível.”

Veja a segunda nota:

“Carta aberta aos familiares, amigos e à comunidade catarinense

Viemos a público manifestar nossa profunda tristeza com a associação do nosso filho, Matheus, ao caso de agressão contra o cachorro Orelha, ocorrido há algumas semanas na Praia Brava, em Florianópolis/SC. Afirmamos com absoluta segurança que nosso filho não teve qualquer participação nesse episódio e que nos somamos às pessoas que estão pedindo às autoridades o total esclarecimento do fato.

Nossa família frequenta a Praia Brava há mais de 10 anos, jamais tivemos quaisquer problemas de convívio, pelo contrário, lá construímos muitas amizades nesse período e nos sentimos parte da comunidade. Somos uma família discreta, construímos nossa vida com muito trabalho, com valores que buscamos transmitir aos nossos filhos. Por isso, toda essa avalanche de informações desencontradas, acusações sem provas e ameaças de violência física à nossa família e amigos nos abala profundamente.

Circula nas redes sociais um vídeo que supostamente mostra os autores da agressão. Nosso filho não está nele. Fotos sem relação com episódio são apresentadas como provas de crimes graves. O fato de nosso filho estar em viagem programada há muitos meses é transformado em algo suspeito, em fuga de responsabilidade. Nada disso procede, queremos que todo esse caso seja solucionado o mais rápido possível.

Como pais, estamos assustados e preocupados com a repercussão e a gravidade das acusações que nossa família está enfrentando. Pedimos à comunidade da Praia Brava e a todos que estão se manifestando sobre o caso que não repliquem informações levianas, que não cedam a julgamentos apressados, que, como nós, confiem que as autoridades farão o seu trabalho e trarão luz a esse acontecimento tão triste. De nossa parte, estamos colaborando com as autoridades e certos de que a verdade e a Justiça estarão ao nosso lado.”

Morte de Orelha

O cão comunitário Orelha foi brutalmente agredido e foi encontrado agonizando por uma mulher na Praia Brava, em Santa Catarina. Ele chegou a ser levado a um veterinário, mas passou por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Quatro adolescentes são suspeitos de terem cometido o crime. Dois deles foram alvos de mandados de busca e apreensão da PC nessa segunda-feira (26), enquanto os outros dois estão em viagens programadas aos EUA.

Os adolescentes também são alvos de investigação por maus-tratos a outro animal, um cão caramelo que teria sido jogado no mar e sobreviveu.

Três adultos também são investigados por coação durante as investigações da PC. Um deles teria usado uma arma de fogo durante as ameaças. A polícia procurou pelo armamento, mas não o encontrou.
O caso causou revolta nas redes sociais. Diversos famosos e políticos se manifestaram pedindo justiça pelo cão.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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