Cão Orelha: especialista aponta possível pena e orienta sobre denúncias de maus-tratos

Quatro adolescentes são investigados por suspeita de envolvimento no crime

Cão Orelha morreu após ser espancado

Quatro adolescentes são investigados pela Polícia Civil de Santa Catarina suspeitos de envolvimento no espancamento do cão comunitário Orelha, em Praia Brava, Santa Catarina. O animal passou por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Caso seja comprovado o envolvimento dos garotos na agressão, eles não responderão às penas previstas no Código Penal. Isso porque, segundo Thalita Arcanjo, advogada especialista em dirieto animal, eles são menores de idade e passarão por medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Se for comprovado que eles praticaram atos de maus-tratos, poderão ser submetidos a medidas socioeducativas, que são o regime aplicável a adolescentes em conflito com a lei. Entre as possíveis medidas estão: Advertência, liberdade assistida, prestação de serviços à comunidade, internação em estabelecimento educacional destinado para menores infratores que pode durar por até 3 anos”, explicou.

“A escolha da medida depende da gravidade dos atos, da idade dos menores, de suas circunstâncias pessoais e da avaliação do juiz da vara da infância e juventude”, acrescentou.

Vale lembrar que a pena no Código Penal para maus-tratos a animais é de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição de guarda de animais. Caso o crime resulte na morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.

Conforme a especialista, os pais dos garotos não devem responder criminalmente por maus-tratos. Porém, eles podem ser responsabilizados pela reparação dos danos causados pelos filhos, o que inclui indenizações por danos materiais ou morais. Vale lembrar que a PC investiga um policial e o pai de um dos adolescentes por coação durante as investigações. Por isso, caso sejam condenados, eles responderão criminalmente.

Como denunciar maus-tratos

A especialista orientou como denunciar maus-tratos contra animais no Brasil. Segundo ela, isso é um “direito e dever de um cidadão”.

Para denunciar, é possível:

  • Registrar um Boletim de Ocorrência (BO) em uma delegacia de polícia;
  • Comparecer à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente ou ao Ministério Público para formalizar a denúncia;
  • Acionar órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), especialmente em casos envolvendo animais silvestres ou exóticos;
  • Se houver resistência policial em registrar a ocorrência, é possível denunciar a prevaricação ao Ministério Público ou à Corregedoria da Polícia Civil, pois a autoridade policial é obrigada a receber denúncias.

“Ao fazer a denúncia, é muito útil fornecer provas, como fotos, vídeos, laudos, nomes, endereços e testemunhas, para fortalecer o caso”, concluiu.

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Morte de Orelha

O cão comunitário Orelha foi brutalmente agredido e foi encontrado agonizando por uma mulher na Praia Brava, em Santa Catarina. Ele chegou a ser levado a um veterinário, mas passou por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Quatro adolescentes são suspeitos de terem cometido o crime. Dois deles foram alvos de mandados de busca e apreensão da PC nessa segunda-feira (26), enquanto os outros dois estão em viagens programadas aos EUA.

Os adolescentes também são alvos de investigação por maus-tratos a outro animal, um cão caramelo que teria sido jogado no mar e sobreviveu.

Três adultos também são investigados por coação durante as investigações da PC. Um deles teria usado uma arma de fogo durante as ameaças. A polícia procurou pelo armamento, mas não o encontrou.

O caso causou revolta nas redes sociais. Diversos famosos e políticos se manifestaram pedindo justiça pelo cão.

Famílias se manifestam

As famílias de dois adolescentes se manifestaram por meio de nota e declararam que os garotos são inocentes.

“Queremos afirmar com toda a veemência que nosso filho não tem qualquer relação com esse fato, não participou e não colaborou de nenhuma forma para que ocorresse”, disse uma das famílias.

Já a outra família afirmou que é frequentadora da Praia Brava há mais de 10 anos e jamais teve problemas de convívio no local.

“Somos uma família discreta, construímos nossa vida com muito trabalho, com valores que buscamos transmitir aos nossos filhos. Por isso, toda essa avalanche de informações desencontradas, acusações sem provas e ameaças de violência física à nossa família e amigos nos abala profundamente”, afirmaram.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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