Iluminação, CO2 e nutrição são os segredos ‘aquarismo high tech'; entenda

O chamado ‘aquarismo high tech’ exige equilíbrio técnico para formar ‘tapete verde’ no fundo do aquário

Para que a fotossíntese subaquática ocorra, elas precisam de luz que penetre a água e dióxido de carbono dissolvido em níveis otimizados

O famoso “tapete verde” no fundo do aquário é o sonho de muitos aquaristas iniciantes, mas para alcançá-lo não basta apenas plantar e esperar. O segredo está em dominar três aspectos: boa iluminação, suplementação de carbono e nutrição. No mundo do aquarismo, esse ecossistema de alta performance de “aquário high tech”.

Diferentemente das plantas terrestres, que têm acesso ilimitado ao ar, as plantas de aquário enfrentam a água como uma barreira. Para que a fotossíntese subaquática ocorra, elas precisam de luz que penetre a água e dióxido de carbono dissolvido em níveis otimizados. Segundo estudos da renomada empresa dinamarquesa Tropica Aquarium Plants, plantas de carpete como a Hemianthus callitrichoides têm um metabolismo muito acelerado e definham rapidamente sem o suporte tecnológico adequado.

“O segredo de um aquário High Tech é o equilíbrio. Muita luz sem CO2 é a receita para o desastre”, afirma Rony Suzuki, um dos principais especialistas em aquapaisagismo do Brasil. "É como um carro potente: você precisa de combustível e um motorista atento para não perder o controle”.

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Para um tapete denso, o cilindro de CO2 é um bom investimento. Sistemas caseiros ou líquidos oferecem resultados instáveis, mas a pressurização correta garante uma liberação constante do gás. Autores como Diana Walstad, na obra Ecologia do Aquário Plantado, destacam que o carbono é o bloco de construção principal de qualquer planta.

Especialistas em aquascaping afirmam que injetar CO2 de forma constante transforma o metabolismo das plantas: “Elas deixam de apenas sobreviver para realmente prosperar. O efeito de pearling, quando as plantas soltam bolhas de oxigênio visíveis, é o sinal máximo de que o sistema está funcionando perfeitamente”, aponta Fabian Kussakawa, aquapaisagista brasileiro premiado mundialmente, especialista em montagens de alta performance.

Iluminação LED

Não basta apenas “clarear” o aquário de qualquer forma, o aquarista precisa fornecer a energia corretamente. As modernas luminárias de LED para aquários são ótimas por permitirem o controle do espectro de cores.

“As luminárias LED mudaram o hobby. Hoje conseguimos entregar o espectro exato para a clorofila das plantas sem esquentar a água. Sem o azul e vermelho corretos, o carpete simplesmente não ‘anda’”, reforça Kussakawa.

Para manter plantas exigentes no estilo high tech, os manuais técnicos orientam que o fotoperíodo, o tempo de luz acesa, deve ser rigoroso, geralmente de seis a oito horas diárias, controlado por um timer. Além disso, o uso de um substrato fértil rico em ferro e micronutrientes completa o ciclo necessário para que o gramado submerso se espalhe de forma saudável.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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