‘Invasão de algas’ no aquário é sinal de desequilíbrio; saiba como identificar e evitar

Especialistas não recomendam intervenções químicas, pois podem comprometer todo o sistema biológico do tanque

Ao identificar a causa do desequilíbrio de luz e nutrientes, o aquarista elimina o problema pela raiz

Manter um aquário cristalino é o desejo de toda pessoa que tem o aquarismo como hobbie, mas o surgimento de manchas verdes nos vidros ou tufos escuros sobre as plantas funciona como alerta para os aquaristas. A “invasão de algas” não é apenas um problema estético; mas sim o sintoma visual de que o ecossistema do aquário está em desequilíbrio.

O mercado tenta resolver o problema oferecendo diversos algicidas, mas o uso de substâncias químicas pode ser perigoso para peixes e plantas sensíveis. Por isso, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o manejo “natural” e a correção dos parâmetros da água são as formas mais seguras de garantir a saúde dos pets aquáticos.

O primeiro passo para o controle é identificar o tipo de “inimigo”. As algas verdes, que formam uma poeira nos vidros, geralmente estão ligadas ao excesso de luz ou à sobra de nutrientes na água. Já a temida alga peteca, que aparece como pequenos tufos pretos ou cinzas, é um sinal de níveis instáveis de CO2 e excesso de material orgânico.

Segundo o engenheiro agrônomo e especialista em botânica aquática, Thiago Cavalcanti, o combate deve ser por inteiro e não paliativo. “A alga é uma oportunista que se aproveita de uma falha na manutenção. Se você usa um produto químico sem ajustar a luz e a filtragem, o problema voltará em poucos dias, muitas vezes com mais força”, alerta o especialista.

A solução definitiva passa pelo controle biológico, e sugere o uso dos chamados “peixes faxineiros”. Espécies como o Limpa-vidros (Otocinclus affinis) são muito bons em raspar superfícies, mantendo plantas e vidros limpos. Mas para detritos acumulados e algas filamentosas, o papel de invertebrados é uma boa opção.

O camarão pitu e o camarão amano são conhecidos por sua eficiência em áreas onde os peixes não alcançam. Além da fauna, a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL) reforça que manter aquários equilibrados é uma questão de segurança para todo o ambiente doméstico, inclusive para evitar que gatos em contato com o tanque sejam prejudicados por águas contaminadas ou quimicamente tratadas.

Para o aquarista premiado Fabian Kussakawa, o uso de plantas de crescimento rápido é a “arma secreta” contra as algas. “As plantas superiores competem pelos mesmos nutrientes que as algas. Quando você tem um jardim subaquático saudável, as plantas consomem o fosfato e o nitrato tão rápido que as algas acabam morrendo de fome”, explica Kussakawa em workshops.

Ele reforça, também, que o segredo para um aquário livre de algas não é a esterilização, mas a manutenção de um ciclo biológico saudável e estável.

Leia também

A Itatiaia preparou um roteiro para você limpar seu aquário de forma natural:

  • Reduza a iluminação

Se o seu aquário recebe luz solar direta ou se a luminária fica ligada por mais de oito horas, reduza para seis horas temporariamente.

  • Equipe de limpeza

Introduza peixes como o Limpa-vidros para algas verdes e camarões para restos orgânicos. Verifique sempre a compatibilidade entre as espécies.

  • Trocas de água (TPA)

Faça trocas de 20% da água semanalmente. Isso remove o excesso daquilo que faz as algas crescerem.

  • Remoção manual:

Use uma escova de dentes nova ou raspadores magnéticos para remover o grosso das algas antes de fazer a troca de água.

  • Atenção à alimentação

Restos de comida que sobram no fundo são a principal causa de surtos de algas. Ofereça apenas o que os peixes consomem em dois minutos.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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