Entenda a ‘sede seletiva’ dos gatos e por que potes com água parada podem ser um risco

Tutores devem ter atenção para manter os rins do pet funcionando bem, por meio de uma hidratação correta: fontes de água corrente, potinhos maiores e oferta de comida úmida

Gatos são exigentes: troque a água pelo menos duas vezes ao dia e lave os recipientes diariamente para evitar o lodo biológico

A doença renal é uma das principais causas de óbito em gatos domésticos, e a origem do problema muitas vezes está em um comportamento “natural” do pet: a baixa ingestão de água. Ao contrário dos cães, os felinos têm um baixo limiar de sede e tendem a ter a urina muito concentrada.

No ambiente doméstico, essa característica se torna um perigo quando o tutor oferece apenas água em potes parados. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), estimular a hidratação é o pilar número um da prevenção em saúde felina, pois é o que pode evitar a formação de cálculos e a falência dos rins.

O motivo pelo qual o gato ignora o pote de água faz sentido. Na natureza, água parada é sinônimo de contaminação, enquanto água corrente indica pureza. Além disso, os gatos têm uma visão de perto limitada, de forma que o brilho da água em movimento ajuda o animal a identificar o nível do líquido.

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Segundo a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL) o fenômeno do “estresse de bigodes” também ocorre em potes pequenos, onde as vibrissas, os bigodinhos sensores táteis do rosto, batem nas bordas, o que causa desconforto e afasta o pet do hábito de beber água.

Para ajudar o pet a não desenvolver desidratação crônica, uma das opções mais comuns é a introdução da alimentação úmida, o popular sachê. Ele deixou de ser um petisco para se tornar uma recomendação veterinária.

A ração seca possui apenas cerca de 10% de umidade, orientam especialistas em nefrologia veterinária, enquanto o sachê chega a 80%. “Ao oferecer alimento úmido diariamente, o tutor garante que o gato ingira uma quantidade significativa de água durante a refeição, o que dilui a urina e protege os rins”, explicam os manuais técnicos da ABFEL. Ao contrário do que se ouve, o sachê de boa qualidade não causa obesidade ou cálculo dental, desde que balanceado.

Além da alimentação, a gatificação da casa com múltiplas fontes, conforme já publicado pela Itatiaia, é fundamental. A médica veterinária especialista em felinos, Laila Massad Ribas, explica que a localização dos potes faz toda a diferença.

“O gato nunca deve ter sua água ao lado da comida ou da caixa de areia. Na natureza, eles não bebem água perto de onde comem, para evitar contaminação”, afirma a especialista em materiais educativos. Espalhar pela casa potes de cerâmica ou vidro, que mantêm a temperatura fresca, aumenta as chances de o animal beber água ao longo do dia.

Um gato que urina pouco ou que vai até a caixa de areia muitas vezes sem sucesso pode já estar em uma emergência. Os tutores devem ter muita atenção para manter os rins funcionando bem por meio de uma hidratação correta: adotar o uso de fontes, potinhos maiores e oferta de comida úmida.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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