O aquarismo plantado, técnica que transforma tanques de peixes em jardins subaquáticos, é um dos hobbies que vêm crescendo no Brasil nos últimos anos. Mas o receio de investir em equipamentos caros, como cilindros de CO2 e iluminação de alta performance, afasta muitos iniciantes.
A boa notícia é que existe uma categoria de montagem chamada “low tech”, focada em plantas resistentes e de baixa manutenção, que permite criar um ecossistema bonito e com pouco investimento. Segundo manuais de botânica aquática, o segredo do sucesso não está na tecnologia, mas na escolha de espécies que tenham um metabolismo mais lento e alta capacidade de adaptação.
Para Fabian Kussakawa, um nome premiado em concursos internacionais, a simplicidade é o melhor caminho para quem está começando. Em orientações técnicas passadas em workshops e plataformas especializadas, Kussakawa destaca que o iniciante deve focar em plantas que não exigem substrato fértil ou injeção de gás carbônico (CO2). Ele ressalta que o uso de plantas de crescimento lento ajuda a manter o equilíbrio do aquário e evita picos de nutrientes que favorecem o surgimento de algas, o principal motivo de desistência entre novos praticantes do aquarismo plantado.
A biologia aquática explica que essas plantas “imortais” têm estruturas celulares mais robustas, o que permite que elas absorvam nutrientes diretamente da água ou de substratos simples, como areia ou cascalho.
A Itatiaia consultou especialistas e manuais de biologia para listar as cinco espécies ideais para quem quer um aquário verde sem complicações.
Plantas essenciais para um aquário de baixa manutenção:
- A Anúbia é considerada a “rainha” dos iniciantes, pois ela possui folhas rígidas e verde-escuras. Mas os tutores devem ter atenção: ela nunca deve ser enterrada no substrato; seu rizoma deve ser amarrado em pedras ou troncos para não apodrecer.
- A Microsorum é muito resiliente e adapta-se a quase qualquer condição de luz. Assim como a Anúbia, ela se desenvolve melhor quando fixada em elementos decorativos.
- Vallisneria é a planta ideal para o fundo do aquário. Suas folhas longas, que lembram fitas, crescem rápido, formam uma cortina verde e servem de abrigo para peixes menores.
- O musgo de java é essencial para quem quer criar peixes ou camarões. Ele cresce em tufos e não exige iluminação forte, perfeito para dar textura a troncos e rochas.
- Diferente das anteriores, a Cryptocoryne pode ser plantada no cascalho. É uma planta muito resistente que, uma vez adaptada, forma arbustos no aquário.
Os tutores devem ter atenção, pois, mesmo sendo plantas resistentes, elas ainda dependem de um ciclo básico de luz (cerca de seis a oito horas por dia) e trocas parciais de água.
Conforme orienta o especialista Fabian Kussakawa, o “investimento em paciência” é o que define um bom aquarista. Respeitar o tempo de adaptação das plantas e não superlotar o aquário com peixes são passos fundamentais.