O Dia Nacional dos Animais, comemorado em 14 de março, está se aproximando e a pauta que deveria ser apenas de celebração ganha contornos de urgência: a esporotricose felina, uma doença causada por um fungo do gênero Sporothrix, vem se consolidando como um dos principais desafios sanitários urbanos do país, principalmente em áreas com grande quantidade de gatos sem acesso regular a cuidados veterinários.
Além do sofrimento animal, a esporotricose felina preocupa porque é transmissível para humanos e se espalha com rapidez.
“Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil. Os gatos são as principais vítimas e os potenciais transmissores”, explica o professor titular de medicina-veterinária da UNIP, Carlos Brunner.
Segundo o especialista, a doença causa lesões cutâneas que podem começar como pequenos caroços (nódulos) e evoluir para úlceras abertas e com secreção.
“Essas feridas não cicatrizam facilmente e costumam espalhar-se pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados”, diz.
No começo deste ano, o Ministério da Saúde incluiu a esporotricose humana na lista de doenças de notificação obrigatória. Já o controle animal continua sendo realizado pela vigilância sanitária de cada estado. Em São Paulo, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde do município (Covisa) publicou, em 2024, o mapa da doença na cidade, por bairros.
No total foram notificados 3.368 casos de gatos infectados pela doença, crescimento de mais de 300% em relação à 2020. Os dados de 2025 ainda não foram divulgados.
A boa notícia é uma técnica que está trazendo esperança para no tratamento da esporotricose felina no país. Batizado de Sporo Pulse, o equipamento inédito, desenvolvido pela da startup brasileira Akko Health Devices, sob liderança do pesquisador Carlos Brunner, usa a eletroporação para matar o fungo causador da doença.
“Há muitos medicamentos no comércio, alguns funcionam bem e outros nem tanto. Infelizmente isso só vai ser descoberto depois de meses de tentativa de tratamento e há o risco de se chegar à conclusão de que foi inútil. Dessa forma houve um desperdício de tempo e de dinheiro. Nessa mesma linha, a cada dia que se prolonga o tratamento, aumenta o risco de transmissão a outros gatos e às pessoas, inclusive os responsáveis pelos gatos”, detalha Brunner.
A técnica desenvolvida por ele exige menor número de manipulações do gato, menor custo, boa eficácia em animais resistentes à terapia convencional e redução do período de tratamento. Carlos Brunner é um dos maiores especialistas no uso de pulsos elétricos no tratamento de doenças e precursor da eletroquimioterapia no Brasil.