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Filhote mordendo tudo? Entenda a fase de troca de dentes e saiba como salvar seus móveis

O adestramento positivo e a oferta de itens seguros são os melhores caminhos para uma convivência harmoniosa com o pet desde os primeiros meses

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Filhote de Cachorro se coçando com a pata - Foto: Pixabay
Entender essa fase é básico para a posse responsável, evita que o animal sofra e que os móveis da casa sejam destruídos • Pixabay

Quem decide adotar um cãozinho geralmente se depara com um desafio comum nas primeiras semanas: o "filhote mordendo muito". Esse comportamento, embora muitas vezes interpretado como agressividade ou mau comportamento, é, na verdade, uma necessidade fisiológica ligada à troca da dentição.

Assim como os humanos, os cães passam por uma fase de dentes de leite que dão lugar aos definitivos, um processo que gera desconforto e uma coceira intensa na gengiva. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), entender essa fase é básico para a posse responsável, evita que o animal sofra e que os móveis da casa sejam destruídos.

A troca de dentes ocorre geralmente entre os quatro e sete meses de idade. Durante esse período, a gengiva fica inflamada e sensível. Segundo especialistas em odontologia veterinária, a mordida é a forma que o filhote encontra para aliviar a pressão dos dentes que estão nascendo.

"A mastigação ajuda a massagear a gengiva e facilita a queda dos dentes decíduos (de leite)", explicam os manuais técnicos da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas). Se o tutor não oferecer alternativas adequadas, o animal vai buscar alívio em pés de cadeiras, chinelos e sofás, que têm texturas resistentes e satisfatórias para a necessidade do pet naquele momento.

Porém, um alerta importante das autoridades de saúde animal diz respeito ao perigo de oferecer ossos naturais precocemente. Embora pareçam uma solução óbvia, ossos de couro bovino (nós) ou ossos de galinha e costela podem causar asfixia, perfurações gastrointestinais e até a quebra de dentes de leite, que são mais frágeis.

"O uso de ossos inadequados é uma das causas frequentes de cirurgias de emergência em filhotes", diz o CFMV. O ideal é optar por produtos certificados e indicados especificamente para a idade do animal.

A Itatiaia preparou dicas simples e práticas para os tutores lidarem com as mordidas do filhote:

  • Sempre que o filhote morder você ou um móvel, diga um "não" firme, sem gritar, e ofereça imediatamente o brinquedo correto.
  • Ofereça cenouras geladas ou brinquedos de borracha que saíram do congelador. Isso ajuda a anestesiar a gengiva dolorida.
  • Não deixe todos os brinquedos espalhados. Ofereça dois ou três por vez e troque a cada poucos dias para manter o interesse do animal.
  • Nunca brinque com o filhote usando as mãos ou os pés como "alvos". Isso ensina ao pet que morder pessoas é permitido.
  • Fique atento se os dentes de leite estão caindo. Se o dente permanente nascer sem o de leite cair, fenômeno conhecido como dente duplo, procure um veterinário para evitar problemas de mordida.

Punições físicas, vale lembrar, não resolvem o problema e só comprometem o vínculo de confiança entre o cão e o tutor. Ao oferecer os estímulos corretos e entender que essa é apenas uma fase biológica, você garante que o pet cresça saudável e que sua casa permaneça inteira.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.