Filhote mordendo tudo? Entenda a fase de troca de dentes e saiba como salvar seus móveis

O adestramento positivo e a oferta de itens seguros são os melhores caminhos para uma convivência harmoniosa com o pet desde os primeiros meses

Entender essa fase é básico para a posse responsável, evita que o animal sofra e que os móveis da casa sejam destruídos

Quem decide adotar um cãozinho geralmente se depara com um desafio comum nas primeiras semanas: o “filhote mordendo muito”. Esse comportamento, embora muitas vezes interpretado como agressividade ou mau comportamento, é, na verdade, uma necessidade fisiológica ligada à troca da dentição.

Assim como os humanos, os cães passam por uma fase de dentes de leite que dão lugar aos definitivos, um processo que gera desconforto e uma coceira intensa na gengiva. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), entender essa fase é básico para a posse responsável, evita que o animal sofra e que os móveis da casa sejam destruídos.

A troca de dentes ocorre geralmente entre os quatro e sete meses de idade. Durante esse período, a gengiva fica inflamada e sensível. Segundo especialistas em odontologia veterinária, a mordida é a forma que o filhote encontra para aliviar a pressão dos dentes que estão nascendo.

“A mastigação ajuda a massagear a gengiva e facilita a queda dos dentes decíduos (de leite)”, explicam os manuais técnicos da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas). Se o tutor não oferecer alternativas adequadas, o animal vai buscar alívio em pés de cadeiras, chinelos e sofás, que têm texturas resistentes e satisfatórias para a necessidade do pet naquele momento.

A escolha dos brinquedos ideais para roer é o segredo para atravessar essa fase sem traumas. A recomendação de adestradores e veterinários é investir em itens de borracha atóxica e nylon especial, que sejam resistentes o suficiente para não soltarem pedaços, mas macios o bastante para não quebrarem os dentes novos.

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Uma técnica eficaz para aliviar a coceira na gengiva, e muito comum entre tutores de filhotes, é oferecer brinquedos gelados ou mordedores que podem ser levados ao congelador. O frio age como um anestésico natural e reduz o inchaço.

Porém, um alerta importante das autoridades de saúde animal diz respeito ao perigo de oferecer ossos naturais precocemente. Embora pareçam uma solução óbvia, ossos de couro bovino (nós) ou ossos de galinha e costela podem causar asfixia, perfurações gastrointestinais e até a quebra de dentes de leite, que são mais frágeis.

“O uso de ossos inadequados é uma das causas frequentes de cirurgias de emergência em filhotes”, diz o CFMV. O ideal é optar por produtos certificados e indicados especificamente para a idade do animal.

A Itatiaia preparou dicas simples e práticas para os tutores lidarem com as mordidas do filhote:

  • Sempre que o filhote morder você ou um móvel, diga um “não” firme, sem gritar, e ofereça imediatamente o brinquedo correto.
  • Ofereça cenouras geladas ou brinquedos de borracha que saíram do congelador. Isso ajuda a anestesiar a gengiva dolorida.
  • Não deixe todos os brinquedos espalhados. Ofereça dois ou três por vez e troque a cada poucos dias para manter o interesse do animal.
  • Nunca brinque com o filhote usando as mãos ou os pés como “alvos”. Isso ensina ao pet que morder pessoas é permitido.
  • Fique atento se os dentes de leite estão caindo. Se o dente permanente nascer sem o de leite cair, fenômeno conhecido como dente duplo, procure um veterinário para evitar problemas de mordida.

Punições físicas, vale lembrar, não resolvem o problema e só comprometem o vínculo de confiança entre o cão e o tutor. Ao oferecer os estímulos corretos e entender que essa é apenas uma fase biológica, você garante que o pet cresça saudável e que sua casa permaneça inteira.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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