Como passear com filhotes antes que completem o protocolo de vacinas essenciais

Passeios na rua e calçadas antes do primeiro ciclo vacinal expõem o filhoe a vírus muito resistentes

O filhote que não completou o esquema vacinal está totalmente exposto a uma carga viral que seu corpo ainda não consegue combater

O período entre o desmame e a imunização completa é a fase de maior vulnerabilidade na vida de um cachorro. De acordo com o calendário oficial de vacinação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o filhote deve ser mantido em isolamento de locais públicos até que receba o protocolo completo das vacinas essenciais. A proibição de passeios não é uma escolha opcional do tutor, mas uma barreira sanitária contra doenças de altíssima letalidade, como a cinomose e a parvovirose.

O principal motivo técnico para essa restrição é o que os especialistas chamam de “janela de imunidade”. Segundo as diretrizes globais da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA), o filhote nasce protegido por anticorpos maternos, mas essa proteção cai gradualmente.

“A vacinação deve ser repetida em intervalos porque os anticorpos da mãe podem interferir na vacina. Se vacinarmos muito cedo ou apenas uma vez, o sistema imunológico do filhote pode não responder”, afirma o guia técnico da WSAVA para tutores. Somente após a conclusão do ciclo, geralmente na terceira ou quarta dose, é que o organismo está efetivamente produzindo proteção própria.

A exposição a locais públicos antes desse ciclo expõe o animal a vírus muito resistentes. Em orientações sobre doenças infectocontagiosas, o médico veterinário e professor Paulo Tabanez, uma das referências em infectologia animal no Brasil, alerta sobre o perigo invisível:

Leia também

“A parvovirose é um vírus muito estável no ambiente e pode sobreviver por meses em uma calçada ou praça. O filhote que não completou o esquema vacinal está totalmente exposto a uma carga viral que seu corpo ainda não consegue combater”, reforça o especialista em diretrizes de saúde preventiva.

A Itatiaia listou os pontos principais do protocolo de segurança para o novo pet:

  • O esquema V8 ou V10 deve ser iniciado entre seis e oito semanas de vida, com reforços a cada 21 ou 30 dias. “O cumprimento rigoroso dos intervalos é o que garante a eficácia do protocolo”, orienta o CFMV.
  • Lembre-se que vírus como o da cinomose podem ser transportados na sola dos sapatos. Por isso, mantenha a área do filhote limpa e restrita.
  • Passeios de colo são permitidos e recomendados. O animal precisa ver o movimento da rua e ouvir barulhos de carros para se socializar.
  • Vacina Antirrábica: Geralmente aplicada em dose única após os 4 meses de idade, fechando o ciclo de proteção obrigatória por lei.

Para os especialistas, esse isolamento físico não deve significar um isolamento social. Conforme orienta o Manual de Vacinação da WSAVA, a socialização pode ocorrer de forma controlada. “O período entre as oito e 12 semanas é crítico para o aprendizado social. O filhote pode ir à rua, desde que seja no colo ou em bolsas de transporte, sem tocar o chão”, destaca o documento oficial.

Essa estratégia é útil para equilibrar a segurança biológica com o desenvolvimento mental da ave, e evita que o cão se torne um adulto medroso ou agressivo.

Bom lembrar que a aplicação da vacina deve ser feita exclusivamente por um médico veterinário, é claro. Em comunicado oficial, o CFMV alerta que “a vacina é um ato médico e exige exame clínico prévio; animais doentes ou com verminoses não podem ser vacinados, pois o sistema imune não responderá adequadamente”.

Seguir o protocolo de vacinação e respeitar o tempo de isolamento é o primeiro grande ato de responsabilidade de um tutor, e garante a segurança do novo amigo.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

Ouvindo...