Uma chimpanzé considerada “gênio”, chamada Ai, que reconhecia mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto da língua inglesa, morreu aos 49 anos no Japão. Seu nome significa “amor” em japonês e ela participou de estudos sobre percepção, aprendizagem e memória que ampliaram a compreensão sobre a inteligência dos primatas.
A morte foi constatada na última sexta-feira (9) em decorrência de uma falência múltipla de órgãos e enfermidades relacionadas à idade, informou a Universidade de Quioto, responsável pelo animal.
Além de conhecer caracteres chineses e o alfabeto, Ai também era capaz de identificar os algarismos arábicos de zero a nove e 11 cores, disse o primatólogo Tetsuro Matsuzawa em 2014.
Em um estudo, foi apresentada a Ai uma tela de computador que mostrava o caractere chinês para a cor rosa, junto com um quadrado rosa e outro quadrado alternativo na cor roxa. A chimpanzé escolheu corretamente o quadrado rosa, explicou Matsuzawa.
“Ao ser apresentada a uma maçã, ela selecionava na tela do computador um retângulo, um círculo e um ponto para desenhar uma maçã virtual”, acrescentou.
Por conta das demonstrações, ela foi objeto de diversos artigos acadêmicos e programas televisivos, incluindo estudos publicados na revista Nature, referência em divulgação científica, o que gerou o apelido de “gênio”.
Os estudos com Ai ajudaram a estabelecer “um quadro experimental para compreender a mente do chimpanzé, fornecendo uma base crucial para considerar a evolução da mente humana”, afirmou o centro de pesquisa de Quioto.
“Ai era muito curiosa e participava ativamente destes estudos, revelando pela primeira vez diversos aspectos da mente do chimpanzé", completou.