Para uma calopsita, o poleiro não é apenas um acessório de descanso, mas sim o local onde ela passa a maior parte da vida, incluindo aí os períodos de sono e alimentação. E é justamente pelo tempo de uso que acessórios inadequados é uma das causas mais frequentes de problemas articulares e lesões nas patas, conhecidas como pododermatites.
A escolha correta do diâmetro e da textura do poleiro é vital para que a ave realize o “fechamento” correto dos dedos, evitando o esforço excessivo e contínuo nos tendões e articulações, orienta o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
O erro mais comum entre tutores é manter apenas poleiros de plástico ou de madeira perfeitamente lisos dentro da gaiola. A uniformidade dos poleiros é prejudicial à saúde da ave, conforme explica a médica veterinária Stella Sakata em entrevista ao portal Melhores Amigos.
Ela ressalta que a falta de variação no diâmetro impede que a calopsita exercite a musculatura das patas, o que pode levar a quadros de calosidades e inflamações. A recomendação da especialista é que o ambiente ofereça diferentes espessuras para simular a irregularidade encontrada na natureza.
Além da ergonomia, a segurança do material é um ponto crítico de saúde.
Tutores de calopsitas já devem ter ouvido falar “poleiros lixa”, feitos para desgastar unhas. O médico veterinário Alessandro Arantes reforçou que o uso de “poleiros lixa”, feitos para desgastar unhas, deve ser evitado, pois a textura abrasiva fere a pele sensível da planta do pé da ave e facilita a entrada de bactérias.
Para os especialistas, o segredo do bem-estar está na diversidade do ambiente. Um viveiro enriquecido com diferentes texturas e alturas previne o estresse e estimula o comportamento natural.
O posicionamento dos acessórios também importa, pois o poleiro mais alto da gaiola costuma ser o escolhido para o sono, por oferecer maior sensação de segurança para a ave.
Portanto, neste local deve ter um poleiro mais confortável e de tamanho mais adequado à garra da calopsita.
A Itatiaia preparou uma lista com algumas orientações para adaptação de poleiros da sua calopsita em casa:
- Procure por poleiros com espessuras entre 1,5 e 2,5 centímetros. Essa variação obriga a ave a abrir e fechar os dedos em diferentes ângulos, o que previne a atrofia.
- Substitua modelos de plástico por galhos de árvores seguras, como os de goiabeira ou jabuticabeira. As irregularidades naturais ajudam no desgaste suave das unhas. Além disso, ao coletar galhos na natureza, retire espinhos, lascas afiadas e certifique-se de que a madeira não solte resina, pois pode haver intoxicação se ingerido.
- O poleiro precisa estar firme, pois a instabilidade e balanço dele causam insegurança e podem provocar quedas e fraturas.
O acompanhamento veterinário é obrigatório se a ave apresentar sinais como vermelhidão nos pés, dificuldade de se equilibrar ou se passar muito tempo no fundo da gaiola.
De acordo com os protocolos preventivos, são as pequenas mudanças na estrutura da gaiola, como a escolha do poleiro correto, a forma mais segura de garantir que a calopsita viva seus 20 anos de expectativa de vida com saúde.