Mercado pet: abertura de pequenos negócios cresce 22% no país

Entre 2023 e 2025, foram abertas mais de 41,6 mil micro e pequenas empresas, o que evidencia o protagonismo dos empreendedores de bairro

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o mercado pet movimenta cerca de R$ 77 bilhões

O mercado pet brasileiro segue em ritmo acelerado e vem se consolidando como um dos setores mais resilientes da economia nacional. Segundo um levantamento inédito do Sebrae, realizado com base em dados da Receita Federal, o número de pequenos negócios criados no segmento cresceu 22% entre 2023 e 2025.

No período, foram abertas mais de 41,6 mil micro e pequenas empresas, o que evidencia o protagonismo dos empreendedores de bairro no atendimento a uma demanda cada vez mais especializada.

Os dados detalham uma curva ascendente anual: foram 12,7 mil aberturas em 2023, saltando para 13,3 mil em 2024 e atingindo o pico de 15,5 mil em 2025. Desse montante, cerca de 91% dos registros são de Microempreendedores Individuais (MEI).

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o setor democratiza a geração de renda. “O pequeno pet shop de bairro não é coadjuvante, ele é protagonista, pois consegue conquistar mercado e pulverizar oportunidades, com inclusão e novas oportunidades”, afirma.

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Gatos e o faturamento do setor

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o mercado pet movimenta cerca de R$ 77 bilhões, com os gatos já representando 19% da população pet nacional, um ritmo de expansão superior ao dos cães nos últimos anos. Essa mudança no perfil do consumidor, associada à verticalização das cidades, abre portas para serviços cat friendly e produtos premium.

O tutor de gatos, segundo Décio Lima, busca ambientes tranquilos e atendimento especializado, o que exige do empreendedor capacitação em finanças, marketing digital e enriquecimento ambiental.

Na prática, a especialização tem sido a estratégia para fidelizar um público cada vez mais exigente. Em Brasília (DF), a empresária Mariana Eduarda Brod, proprietária do Betina Cat Café, observa que o preconceito contra felinos ficou no passado.

“O mercado cresce ano após ano. As pessoas estão adotando mais gatos, e aquele antigo preconceito de que o gato não é companheiro está ficando para trás”, diz a empresária, que aposta em experiências imersivas e causas sociais, como o apoio à castração e o uso de produtos biodegradáveis.

Já em São Paulo, o empresário Décimo Baccarini Neto, fundador da Raça & Ração e com 21 anos de experiência no setor, reforça que a sustentabilidade virou critério de compra.

“O tutor de gatos está mais informado, mais exigente e disposto a investir em qualidade. Por isso, a especialização virou estratégia de crescimento”, explica Neto, que utiliza energia solar e reciclagem de embalagens em sua operação.

Estudos acompanhados pelo Sebrae, em parceria com o Instituto Pet Brasil (IPB) e a Abinpet, indicam que a tendência para 2026 é de continuidade no crescimento das categorias de alimentação funcional e saúde preventiva.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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