Cruzeiro x Atlético: veja retrospecto das disputas de pênalti entre rivais

Decisão do Campeonato Mineiro pode ser a 7ª disputa de pênalti entre Galo e Raposa

Coluna do Alexandre Simões, comentarista da Itatiaia

O Cruzeiro x Atlético deste domingo (8), às 18h, no Mineirão, que vale o título do Campeonato Mineiro de 2026, será o 513º clássico entre os dois rivais, em mais de um século de história, mas se o jogo terminar empatado eles irão disputar apenas a sétima decisão por pênaltis entre eles.

Além de decidir o Estadual de 2026, uma disputa de pênaltis entre Atlético e Cruzeiro neste domingo, no Mineirão, será um tira-teima. O placar das seis anteriores é de 3 a 3.

As primeiras disputas

A primeira vez que atleticanos e cruzeirenses estiveram frente a frente numa disputa de pênaltis foi em 5 de setembro de 1982, doze anos depois do critério de desempate passar a ser adotado oficialmente pelo futebol, através de determinação da Fifa.

No dia do 17º aniversário do Gigante da Pampulha, os dois rivais se enfrentaram no estádio pelo Campeonato Mineiro. E foi colocado em disputa o Troféu Gil César Moreira de Abreu, engenheiro responsável pela obra de construção do estádio. Como a partida terminou empatada sem gols, a decisão de quem ficaria com a taça foi por pênaltis.

O Cruzeiro venceu por 5 a 4, com Edu Lima, Edson, Luís Cosme, Celso Roberto e Osires superando João Leite, que defendeu a cobrança de Tostão II. Para o Atlético, marcaram Éder, Toninho Cerezo, Nelinho e Nélio. Luiz Antônio levou a melhor contra Tita e Reinaldo.

Três anos depois, o Atlético deu o troco. Em 27 de outubro de 1985, estava em disputa num jogo também pelo Campeonato Mineiro o Troféu Sérgio Ferrara, na época deputado federal mas que em 15 de novembro seria eleito prefeito de Belo Horizonte. O jogo, disputado no Mineirão, terminou empatado por 1 a 1 e forçou a decisão por pênaltis. Os cinco atleticanos (Elzo, Everton, Nelinho, Heleno e Paulinho Kiss) converteram. João Leite defendeu a cobrança do cruzeirense Carlos Alberto e o Galo fez 5 a 4.

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Copa União

A segunda edição da Copa União teve como novidade na primeira fase a disputa de pênaltis após os jogos que terminassem empatados, com o vencedor conquistando um ponto extra. Logo na primeira rodada da competição, que foi o Campeonato Brasileiro de 1988, a tabela marcava o clássico Atlético x Cruzeiro, que terminou 0 a 0. O jogo foi disputado em 4 de setembro, no Mineirão.

Nos pênaltis, o Galo fez 5 a 4, com o goleiro atleticano Rômulo sendo o grande nome, pois defendeu as cobranças de Gilmar Francisco, Hamilton e Heriberto. Os gols cruzeirenses foram de Édson Souza, Balu, Gilson Jáder e Fabiano. Para o Atlético, Luizinho, Carlão, Saulo, Flávio Marcos e Élder converteram. Paulo Roberto Prestes parou no goleiro celeste Wellington e Vânder Luís chutou na trave.

Competição internaconal

O único duelo internacional entre Atlético e Cruzeiro foi decidido nos pênaltis. Em 1993, a Conmebol promoveu a Copa Ouro Nicolas Leóz, presidente da entidade na época. A competição reunia os vencedores em 1992 da Libertadores (São Paulo), Supercopa (Cruzeiro), Copa Conmebol (Atlético) e Copa Master (Boca Juniors).

O clássico mineiro foi uma das semifinais do torneio, em jogo único, em 8 de julho, no Mineirão. O empate sem gols forçou a disputa de pênaltis, após a disputa de uma prorrogação, que também ficou no 0 a 0. E o Atlético mais uma vez levou a melhor vencendo por 5 a 4. Gilson, Ryuller, Orlando, Valdir Benedito e Ailton marcaram para o Galo. Os cruzeirenses Roberto Gaúcho, Paulo Roberto Costa, Edenílson e Luís Fernando Flores converteram para a Raposa. O goleiro alvinegro Luís Henrique foi decisivo ao defender a última cobrança, de Cleison.

Na outra semifinal, o Boca Juniors passou pelo São Paulo e venceu a Copa Ouro em cima do Atlético.

Independência

A única disputa de pênaltis entre Atlético e Cruzeiro fora do Mineirão foi em 10 de agosto de 1995, no primeiro clássico entre eles no Independência desde a inauguração do Gigante da Pampulha, 30 anos antes.

Como preparação para o Campeonato Brasileiro da temporada, foi organizado o Troféu Eduardo Azeredo. Nas semifinais, o Cruzeiro passou pelo Botafogo (1 a 0) e o Atlético pelo Fluminense (2 a 1). Em 10 de agosto os dois rivais decidiram a taça no Horto.

O empate por 1 a 1 no tempo normal forçou as penalidades, com o Cruzeiro vencendo por 5 a 4. Nonato, Paulinho McLaren, Paulo Roberto Costa, Alberto e Marcelo Ramos converteram para a Raposa. Euller, Clayton e Carlos fizeram para o Galo. O goleiro camaronês William Andem defendeu a cobrança de Ronaldo Guiaro.

A última vez

A última disputa de pênaltis entre Atlético e Cruzeiro foi há quase 24 anos, pelas semifinais da extinta Copa Sul-Minas de 2002. A vaga na final foi disputada em ida e volta, mas os dois clássicos, ambos jogados no Mineirão, terminaram empatados por 1 a 1. Assim, em 28 de abril, eles decidiram a vaga na decisão na marca fatal.

Vander, Jorge Wagner, Jussiê e Lúcio marcaram para os celestes. Marques e Erlon foram os únicos alvinegros a balançar a rede. O goleiro Jefferson defendeu a cobrança de Erlon e Baiano isolou por cima do travessão. O Cruzeiro se classificou para a final e foi bicampeão da Sul-Minas batendo o Coritiba.

Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro

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