Entenda por que os gatos conquistaram a geração Z e os millennials no Brasil

Tutores encontraram no felino o equilíbrio perfeito entre afeto, custo de vida e a dinâmica das metrópoles

Para uma geração que lida com a instabilidade financeira e o aumento do custo de vida, o gato oferece a experiência da “parentalidade pet” sem comprometer o orçamento

O cenário das casas brasileiras está mudando. Segundo o Censo Pet do Instituto Pet Brasil (IPB), o número de gatos nos lares do país cresce em um ritmo muito superior ao de cães, com uma alta que chegou a ultrapassar os 6% ao ano. Esse movimento é liderado por jovens das gerações Z e Millennial, que encontraram no felino o equilíbrio perfeito entre afeto, custo de vida e a dinâmica das metrópoles.

A adaptação dos gatos aos apartamentos compactos das capitais é o principal motor dessa transformação. Enquanto o mercado imobiliário brasileiro foca em unidades cada vez menores, o gato se destaca por ser um animal “vertical”.

Conforme explica a medicina veterinária comportamental, o bem-estar do felino está ligado à exploração de prateleiras e nichos, e não necessariamente a grandes quintais. O gato ocupa o espaço de forma tridimensional, o que o torna o habitante ideal para o modelo de moradia atual dos jovens, que priorizam localização em vez de metragem, afirmam analistas da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

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Além da questão espacial, o fator econômico pesa no bolso dos brasileiros. Dados do setor indicam que o custo mensal de manutenção de um gato pode ser até 30% inferior ao de um cão de porte médio. Essa diferença aparece na economia com banho e tosa, já que o gato faz sua própria higiene, e no volume de ração consumida.

Para uma geração que lida com a instabilidade financeira e o aumento do custo de vida, o gato oferece a experiência da “parentalidade pet” sem comprometer o orçamento de forma tão drástica quanto um animal que exige gastos fixos com passeadores ou creches.

A relação com o trabalho também mudou. Com a consolidação do home office e do modelo híbrido, o gato se tornou o companheiro de rotina mais adaptável. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o comportamento felino, embora afetuoso, respeita mais facilmente os períodos de silêncio e foco do tutor.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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