A calopsita é uma das aves domésticas mais populares no Brasil, mas, apesar da popularidade, muitos tutores não conseguem descobrir se o novo pet é macho ou fêmea. Diferente de outros animais, as calopsitas não têm órgãos genitais externos visíveis, o que torna a identificação dependente de características visuais e comportamentais que só aparecem após a primeira muda de penas, por volta dos cinco meses de idade.
De acordo com a Federação Ornitológica do Brasil (FOB), entidade que regulamenta os padrões de aves de gaiola e viveiro, a distinção é mais simples na coloração ancestral (cinza), mas em mutações como a “lutino” (amarela), a dificuldade é maior.
Nos exemplares de coloração cinza silvestre, a diferença está no rosto e na cauda. O macho adulto tem face amarela vibrante com bochechas circulares em um tom de laranja intenso. A fêmea mantém o rosto acinzentado e as bochechas com um laranja mais pálido.
Outro detalhe técnico importante está na parte inferior da cauda. “As fêmeas adultas apresentam estrias ou listras horizontais nas penas da cauda, conhecidas como ‘barramento’. Já os machos, após a troca de penas, perdem essas marcas e exibem uma cauda de cor lisa e uniforme”, explica o médico veterinário especialista em animais silvestres, Alessandro Arantes.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em guias de bem-estar para aves exóticas, ressalta que o comportamento é um dos indicadores mais confiáveis de dimorfismo sexual.
Na maioria dos casos, o macho é mais “vocal”. Ele canta, assobia melodias complexas e costuma bater o bico em objetos para chamar atenção. A fêmea, por sua vez, tende a ser mais silenciosa. Ela emite pios curtos e agudos e dificilmente aprende a imitar músicas.
Para quem precisa de 100% de certeza, principalmente se o objetivo for a reprodução responsável, as pistas visuais podem falhar em mutações complexas. Nesses casos, a biologia molecular entra em cena.
De acordo com o Laboratório São Camilo, referência brasileira em genética aviária, o exame de sexagem por DNA é o método mais seguro. O teste é realizado a partir da coleta de uma gota de sangue ou de algumas penas arrancadas do peito da ave (que contêm o bulbo capilar com material genético). O procedimento é indolor e definitivo para identificar o sexo de calopsitas de qualquer idade.
A Itatiaia fez uma lista para resumir pontos de observação para identificar o sexo da sua ave em casa:
- Se a calopsita canta muito, imita assovios e faz exibições abrindo as asas em formato de coração, as chances de ser um macho são altíssimas.
- Em aves cinzas, o laranja “fogo” e o rosto todo amarelo indicam um macho. O laranja fosco e o rosto cinza indicam uma fêmea.
- Coloque a ave contra a luz. Se houver padrões de listras ou pontos amarelos sob a cauda (barramento), trata-se provavelmente de uma fêmea.
- O “teste do espelho”: machos costumam ficar fascinados pelo próprio reflexo, “conversando” com o espelho. Fêmeas perdem o interesse rapidamente.
- Para aves muito jovens ou de mutações claras (como albinas e lutinas), o exame laboratorial por DNA é a única forma de evitar erros de manejo.