Entenda quando o miado rouco ou silencioso na voz do gato é uma emergência

A mudança na vocalização frequentemente esconde condições clínicas que variam de inflamações a obstruções graves

Além de infecções e objetos estranhos, a ciência veterinária aponta causas mais complexas para a perda de voz, como a paralisia laríngea ou a presença de pólipos nasofaríngeos.

Para muitos tutores, o miado é a principal forma de interação com seus felinos, e funciona como um termômetro da saúde do animal. Por isso, perceber que o gato está rouco, com aquela “miado que não sai” ou apresentando uma alteração súbita no timbre da voz é motivo de alerta.

Embora a rouquidão possa ser causada por um esforço vocal temporário, a mudança na vocalização frequentemente esconde condições clínicas que variam de inflamações a obstruções graves.

Uma das causas clínicas mais comuns para a rouquidão felina é a laringite, geralmente decorrente de infecções virais. Segundo as diretrizes técnicas da médica veterinária Laila Massad Ribas, especialista em medicina felina, a alteração na voz é um dos sinais clássicos do complexo respiratório felino, conhecido como “gripe de gato” ou rinotraqueíte.

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A especialista esclarece que a inflamação na garganta dificulta a passagem do ar pelas cordas vocais, e pode vir acompanhada de tosse e dificuldade para engolir. Nesses casos, a rouquidão não é um problema isolado, mas um sintoma de que as vias aéreas superiores estão comprometidas.

Quando o miado silencioso surge de forma repentina, o cenário pode indicar uma urgência por obstrução física. Conforme destaca o manual de primeiros socorros do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), felinos podem ingerir acidentalmente corpos estranhos lineares, como fios de nylon ou linhas de costura, que ficam presos na base da língua ou na laringe.

O médico veterinário Alessandro Arantes, em orientações públicas sobre emergências, alerta que tentativas de remover objetos da garganta do animal em casa podem empurrar o item para a traqueia ou causar lacerações graves. Se o gato tenta miar sem emitir som e apresenta salivação excessiva, o atendimento deve ser imediato.

Além de infecções e objetos estranhos, a ciência veterinária aponta causas mais complexas para a perda de voz, como a paralisia laríngea ou a presença de pólipos nasofaríngeos. De acordo com protocolos de medicina felina, estas condições alteram o fluxo de ar e podem evoluir para desconforto respiratório grave.

Como muitos anti-inflamatórios de uso humano são altamente tóxicos para o metabolismo dos felinos, a recomendação oficial das entidades é que o tutor jamais faça a automedicação, e busque sempre o diagnóstico preciso para identificar se a causa é inflamatória, mecânica ou neurológica.

A Itatiaia listou os principais sinais que indicam quando o miado rouco precisa de atendimento imediato:

  • Se o gato estiver com a boca aberta para respirar ou apresentar a língua arroxeada, trata-se de uma emergência vital.
  • A rouquidão acompanhada de “remela” ou nariz escorrendo é indício forte de viroses contagiosas que exigem isolamento.
  • Se o animal demonstra interesse pela comida, mas não consegue engolir ou sente dor ao fazê-lo, a garganta pode estar severamente inflamada.
  • A perda total e repentina do som (quando o gato abre a boca e não sai nada) é frequentemente associada a traumas ou obstruções físicas.
  • Mudanças na voz que duram mais de 24 horas devem ser investigadas para descartar doenças crônicas ou nódulos na laringe.

A melhor forma de evitar as doenças respiratórias que causam a laringite é manter o protocolo vacinal (V3, V4 ou V5) rigorosamente em dia.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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