Troca de ração do pet deve ser feita de forma gradual e sem forçar; saiba por quê

Troca de ração feita com paciência e método garante que o pet aproveite todos os benefícios do novo alimento sem passar por desconfortos desnecessários

Ao trocar por uma ração mais calórica, a quantidade servida deve ser ajustada conforme a orientação do fabricante ou do veterinário

Trocar a alimentação de um cão ou gato pode parecer uma tarefa simples, mas, para o sistema digestivo dos pets, essa mudança é um processo complexo que exige cautela. Seja pela transição da fase filhote para a adulta, por necessidade de uma dieta especial ou pela troca de marca, a substituição da ração nunca deve ser feita de forma imediata.

A introdução abrupta de um novo alimento é uma das causas mais comuns de distúrbios gastrointestinais em clínicas veterinárias brasileiras, o que pode gerar desde vômitos até quadros graves de desidratação, segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) em guias de nutrição e bem-estar.

O motivo técnico por trás dessa obrigatoriedade é a microbiota intestinal, a população de bactérias boas que vivem no intestino do animal. O organismo do pet se adapta a um tipo específico de proteína e fibra e produz enzimas adequadas para aquela composição. A médica veterinária e nutróloga, Viviane de Marco, afirma que o intestino do pet é muito mais sensível a mudanças do que o humano.

“Quando o tutor troca a ração de uma vez, as bactérias intestinais entram em choque. O corpo não tem tempo de produzir as enzimas necessárias para o novo alimento, o que resulta em fermentação excessiva, gases e diarreia osmótica”, diz.

Para que a transição ocorra de forma segura, o método do “desmame” ou transição gradual é a regra de ouro do manejo nutricional. De acordo com manuais da Sociedade Brasileira de Nutrição Animal (CBNA), o processo deve durar entre 7 e 10 dias, dependendo da sensibilidade do animal. Esse período permite que a microbiota se reorganize sem inflamações.

Além disso, a mudança gradual ajuda a evitar a chamada “neofobia alimentar”, comum principalmente em felinos, que podem rejeitar completamente uma nova dieta se ela for imposta sem adaptação, levando ao risco de lipidose hepática.

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A Itatiaia preparou uma sugestão de cronograma de transição para ajudar os tutores nessa missão:

  • Dias 1 e 2

Misture 75% da ração antiga com 25% da ração nova. É a fase de reconhecimento do sabor e odor.

  • Dias 3 e 4

Misture 50% da ração antiga com 50% da ração nova. Nesta etapa, o corpo começa a adaptar a produção de enzimas.

  • Dias 5 e 6

Misture 25% da ração antiga com 75% da ração nova. Observe a consistência das fezes.

  • Dia 7 em diante

Ofereça 100% da ração nova. A transição é considerada concluída se o animal mantiver o apetite e a digestão normais.

  • Atenção ao armazenamento

Mantenha a ração sempre na embalagem original e bem fechada para preservar os nutrientes e evitar a oxidação de gorduras durante o período de mistura.

Além da infraestrutura da dieta, o olhar clínico do tutor deve ser redobrado durante a semana de transição. Sinais como fezes amolecidas, aumento de gases ou o animal “recusar” a parte nova da mistura são indicativos de que a troca está ocorrendo rápido demais.

Ainda segundo Viviane de Marco, o tutor deve estar atento ao “respeito ao ritmo biológico de cada pet”. Caso o animal apresente letargia ou sangue nas fezes durante o processo, a recomendação é suspender a nova dieta e buscar orientação profissional para descartar intolerâncias ou alergias alimentares.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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