Calopsitas criadas sozinhas podem entrar em depressão; veja sinais e soluções

Ambiente enriquecido e companhia garantem que o pet continue sendo o companheiro alegre e barulhento que alegra a casa

Uma calopsita pode viver mais de 15 anos e, para que esse tempo seja de qualidade, o estímulo mental é indispensável

As calopsitas estão entre as aves mais populares nos lares brasileiros, e são conhecidas pela inteligência e capacidade de interação. Mas por serem animais muito sociáveis, a solidão é um dos maiores inimigos desse tipo de pet.

Diferente de outros animais, como os gatos, a calopsita enxerga o tutor como parte de seu bando e, na ausência de estímulos ou companhia, pode desenvolver quadros de apatia e depressão. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o bem-estar psicológico é tão vital para as aves quanto a nutrição, e a privação social pode ser considerada uma forma de negligência.

A depressão em aves, tecnicamente associada ao estresse crônico, se manifesta de forma clara no comportamento. Um dos sinais mais alarmantes é a picagem, comportamento em que a ave começa a arrancar as próprias penas e a causar feridas na pele. De acordo com especialistas da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), esse comportamento é uma válvula de escape para a ansiedade e o tédio.

“Uma calopsita saudável gasta grande parte do dia se exercitando e interagindo; quando ela para de cantar, de se limpar ou começa a se automutilar, o alerta de sofrimento mental é máximo”, destacam as diretrizes técnicas da entidade.

Outro sinal sutil é a mudança na vocalização e no apetite. Uma calopsita deprimida pode parar de emitir seus assobios característicos e passar horas imóvel no fundo da gaiola ou em um único poleiro, com as penas eriçadas e olhos semicerrados.

Marta Brito, médica veterinária e especialista em aves, explica que o isolamento prolongado altera a química cerebral do animal.

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“As aves possuem uma senciência complexa. Elas precisam de desafios mentais e interação social para manter o sistema imunológico fortalecido. Além disso, a depressão abre portas para doenças oportunistas, como infecções respiratórias e fungos”, alerta a especialista em seus materiais educativos.

Para solucionar o problema, enriquecimento ambiental são as palavras-chave. Não basta apenas oferecer comida e água; é preciso que a ave tenha o que fazer durante o dia. E a melhor solução para uma calopsita que fica muito tempo sozinha pode ser a introdução de uma companhia da mesma espécie ou, no mínimo, a oferta de brinquedos que estimulem o forrageamento, ou seja, a busca por alimento.

A Itatiaia fez uma lista com os principais sinais de alerta e como ajudar a calopsita:

  • Mudança no canto

Se a ave, que antes era ruidosa e alegre, tornou-se silenciosa por vários dias seguidos, ela pode estar sofrendo.

  • Picagem e automutilação

Arrancar penas do peito ou das asas é o sinal mais clássico de estresse severo e tédio.

  • Apatia no poleiro

Ficar muito tempo com as penas “fofas” (eriçadas) e demonstrar desinteresse por brinquedos ou petiscos.

  • Espelhos e brinquedos

Ofereça brinquedos de madeira própria para aves, cordas e escadas.

  • Tempo de qualidade

Dedique pelo menos uma hora por dia para interação direta, deixando a ave fora da gaiola em ambiente seguro, como cômodos com janelas teladas.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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