Cruzeiro x Atlético: detalhes de todas as finais diretas entre os rivais no Mineiro

Clássico decisivo do Estadual de 2026 será neste domingo (8), no Mineirão

Última decisão entre os rivais foi em 2024, com vitória do Atlético

Atlético e Cruzeiro irão disputar em 2026 a 27ª final direta entre eles pelo título do Campeonato Mineiro. Essa história teve início há quase um século, em 1931, numa decisão que foi um dos pontos de partida para a maior rivalidade do Estado, pois a taça foi garantida pelos atleticanos com um WO.

Apesar de o Galo ter levado a melhor no primeiro encontro decisivo entre os rivais, o placar geral das 26 finais disputadas entre eles nesses 95 anos é de 14 a 11 para a Raposa. Em 1956 eles dividiram a taça num dos capítulos mais polêmicos da história do confronto.

Pelo lado cruzeirense, o objetivo é encerrar a hegemonia do rival, que é hexacampeão e pode decretar a maior sequência de títulos da Era do Profissionalismo, iniciada em 1933.

Os atleticanos têm como objeto do desejo um heptacampeonato, que foi conquistado em Minas Gerais apenas uma vez, pelo América, e há mais de um século, entre 1916 e 1922, na caminhada do deca americano, que durou até 1925.

Conheça a história das finais entre os dois rivais

1931 - Atlético

Atlético e Palestra Itália (Cruzeiro) terminaram o Campeonato da Cidade (Mineiro) empatados em pontos numa competição que ficou marcada pelas desistências de América, Sete de Setembro e Villa Nova, que tiveram divergências com a Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT), precursora da Federação Mineira de Futebol (FMF).

Atleticanos e palestrinos somaram sete vitórias e uma derrota em oito partidas, com cada um perdendo o clássico na casa do rival.

Com a igualdade, foi marcada uma melhor de três. No primeiro jogo, no Barro Preto, em 29 de novembro de 1931, o Atlético venceu por 2 a 1. No segundo, em Lourdes, uma semana depois, o combinado de trazer um árbitro do Rio de Janeiro não foi cumprido pelo Atlético.

Na preliminar, entre aspirantes dos dois clubes, aconteceu uma grande briga e o campo foi invadido por muita gente. A proposta atleticana foi de uma lista com o nome de três árbitros mineiros para que fosse escolhido um.

O Palestra Itália não aceitou, se recusou a jogar e o Atlético foi declarado campeão como vencedor das duas partidas decisivas.

1940 – Cruzeiro (Palestra Itália)

A competição teria seis clubes e três turnos, mas sofreu várias interrupções o que provocou crise financeira nos clubes. O Sete de Setembro abandonou a disputa, e Villa Nova e América dispensaram os jogadores. Com pouco mais da metade do returno disputado foi tomada a decisão de se encerrar o torneio sendo programada uma decisão entre Atlético e Palestra Itália (Cruzeiro), que eram os dois primeiros colocados.

Uma marca dos duelos finais entre os rivais foram as vitórias dos visitantes. O time celeste ganhou o primeiro jogo por 3 a 1, em 29 de dezembro de 1940, em Lourdes. No dia 5 de janeiro de 1941, no Estádio JK, no Barro Preto, o Atlético se deu bem e derrotou o rival por 2 a 1. A terceira e decisiva partida foi marcada para o Estádio da Alameda, que pertencia ao América.

Raimundo Sampaio, histórico dirigente do Sete de Setembro, que dá nome ao Independência, tinha apitado os dois primeiros jogos da final. Para o terceiro confronto, foi trazido, do Rio de Janeiro, Mário Vianna, o melhor árbitro brasileiro da época.

O Cruzeiro, que contava com Niginho em dia inspirado, levou a melhor e ficou com o título, vencendo por 2 a 0. Os torcedores improvisaram uma passeata em comemoração ao título, que só terminou na sede do clube, no Barro Preto. A conquista do campeonato quebrou uma série de 10 anos dos celestes sem levantar a taça. O Atlético, pela terceira vez consecutiva, não conseguiu um tricampeonato. O alvinegro havia perdido o tri em 1928 e 1933.

1954 – Atlético

Desde 1931, quando fizeram a primeira final direta de Campeonato Mineiro entre eles, o maior período sem que Atlético e Cruzeiro se enfrentassem pelo título estadual foi entre as decisões de 1940, vencida pelos cruzeirenses, e a de 1954, quando o Estádio Independência entrou nessa história quase centenária.

Foram quase 15 anos entre essas duas finais, sendo a de 1954, sem dúvida, a mais confusa de toda a história do Campeonato Mineiro, que teve a sua primeira edição em 1915.

O Estadual de 1954 teve três turnos, e o vencedor de cada um deles garantia dez pontos na final, que foi disputada numa melhor de 25 pontos. O Cruzeiro venceu dois turnos, somando 20 pontos. O Atlético, um, ficando com 10. Na decisão, cada vitória valia 5 pontos e o empate, 2,5 para cada.

Assim, os cruzeirenses estavam a uma vitória do título. Os atleticanos, que lutavam pelo primeiro tricampeonato da sua história, precisavam vencer três jogos.

Na primeira partida da final de 1954, que só ocorreu no ano seguinte, o Galo venceu por 2 a 0, em 17 de abril de 1955. Depois se igualou ao Cruzeiro, com os mesmos 20 pontos, fazendo 3 a 0 no segundo duelo, quatro duas depois. Quem vencesse o terceiro confronto somaria cinco pontos e levantaria o caneco. No entanto, o empate de 1 a 1 deixou cada equipe com 22,5.

O quarto jogo foi marcado para 1º de maio de 1955. Em caso de placar novamente igual, haveria prorrogação. Se a igualdade persistisse, as duas equipes seriam declaradas campeãs. O regulamento não previa critério de desempate.

Um fato curioso ocorreu antes do quarto confronto. O Cruzeiro ficou sem goleiro para o jogo. O titular Chico foi julgado durante a semana e suspenso pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), por causa de um clássico do primeiro turno, em que foi expulso por fazer gestos obscenos para a torcida atleticana. O time pediu “sursis” para o atleta. Como ele era reincidente, o TJD não concedeu.

Além disso, a equipe cruzeirense não tinha goleiro reserva - havia dispensado Crush, fruto da desorganização do clube. O jeito foi improvisar, às pressas, o veterano Geraldo II, que encerrara a carreira há dois anos e atuava como auxiliar técnico no clube.

O Atlético abriu o placar da partida decisiva aos 16 minutos do primeiro tempo, com Ubaldo Miranda, e garantiu o título com o gol de Joel, aos 43 da segunda etapa. Estava garantido o primeiro tricampeonato da história do clube.

Do início do Campeonato da Cidade, em 1915, até meados da década de 50, América, Cruzeiro e Villa Nova já haviam conquistado três títulos consecutivos. O Galo era a única equipe entre as grandes que ainda corria atrás de um tri. Essa sequência lhe havia escapado por seis vezes, em 1928, 1933, 1940, 1943, 1948 e 1951. Em três delas - 1928, 1940 e 1943 - por culpa do Cruzeiro. Por isso, a decisão de 1954 é inesquecível para os alvinegros.

1956 – Atlético e Cruzeiro

O Campeonato Mineiro de 1956 foi dividido entre Atlético e Cruzeiro do início ao fim. Como cada um venceu um turno, decidiram o título numa melhor de três partidas.

Com o lateral-esquerdo Haroldo machucado, o técnico atleticano Délio Neves escalou o reserva Laércio nas duas primeiras partidas, quando venceu a primeira e empatou a segunda. Foi aí que os problemas começaram.

Três dias após o segundo confronto, o Cruzeiro denunciou o Departamento Técnico da FMF por dar condições de jogo a Laércio, que não havia cumprido suas obrigações militares e foi inscrito com um exame médico no lugar do certificado de dispensa do Exército.

O Cruzeiro entrou com recurso no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) pedindo os pontos do empate da segunda partida, já que o prazo para protelar os pontos do primeiro jogo havia expirado.

O TJD, por seis votos a zero, rejeitou o pedido, entendendo que o Atlético não poderia ser punido por um erro da FMF.

Na terceira partida, em 2 de junho, o Atlético teve a volta de Haroldo e venceu com um gol de Vaduca. A torcida comemorou o pentacampeonato, que era inédito na história do clube, mas a polêmica em torno do Estadual de 1956 estava longe do fim.

O Cruzeiro recorreu ao STJD e ganhou os pontos da segunda partida, o que deixou a decisão empatada e o título indefinido.

O STJD obrigou a FMF a marcar um quarto jogo. Aí foi o Atlético que recorreu, mas o tribunal manteve sua decisão.

O alvinegro apelou ao Conselho Nacional do Desporto (CND). Em outubro de 1958, a FMF definiu pela realização da quarta partida, mas o Atlético obteve uma liminar para não disputar o jogo.

A questão só foi resolvida após a CBD ameaçar os clubes pertencentes a federações estaduais com títulos sub judice de não participar do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1959. Em 29 de março de 1959, ambos foram proclamados campeões mineiros de 1956.

1962 – Atlético

A final do Campeonato Mineiro de 1962, a última disputada entre Atlético e Cruzeiro na chamada Era Independência, aconteceu entre o Campeonato Brasileiro de Seleções de 1962, vencido por Minas Gerais, em janeiro de 1963, e a Copa América da Bolívia de 1963, em que a Seleção Brasileira contou com vários jogadores do futebol de Minas Gerais.

Isso explica o fato de as três partidas decisivas entre Atlético e Cruzeiro terem sido disputadas num espaço de apenas cinco dias, pois era preciso se resolver logo o Estadual de 1962, que como era comum na época, invadiu o ano seguinte.

Este título atleticano de 1962 foi literalmente de virada. A decisão aconteceu porque os dois rivais, num campeonato por pontos corridos, terminaram empatados. E o regulamento, nesse caso, previa a disputa de uma melhor de três.

No primeiro jogo o Cruzeiro fez 1 a 0, com um gol do centroavante Dirceu Pantera, maior goleador cruzeirense nos clássicos no Horto com 5 gols.

Na segunda partida, o Atlético empatou a disputa fazendo 2 a 1, com Nilson definindo a vitória já na reta final da partida. O terceiro jogo era necessário e aconteceu apenas dois dias após o segundo confronto.

Em 15 de fevereiro de 1963 um dos dois deixaria o gramado do Independência como campeão mineiro de 1962. O Cruzeiro fez 1 a 0 com Rossi, mas na etapa final, Dinar empatou para o Atlético.

Na prorrogação, um gol olímpico de Toninho, aos 8 minutos do primeiro tempo, garantiu a taça ao Atlético, que nesta conquista teve sua dupla de zaga formada por William e Procópio, que depois, em 1966, jogariam juntos novamente e seriam campeões mas com a camisa cruzeirense, na história conquista da Taça Brasil sobre o Santos, de Pelé.

Maior campeão mineiro na Era Independência, o Atlético fez valer sua supremacia na última decisão direta diante do Cruzeiro antes da inauguração do Mineirão.

1967 – Cruzeiro

A decisão do Campeonato Mineiro de 1967, a primeira da Era Mineirão, inaugurado em 1965, reuniu Atlético e Cruzeiro numa série melhor de três. O Galo liderou o campeonato até a penúltima rodada. O título, que parecia garantido, começou a escapar no clássico do returno, quando vencia por 3 a 0, até os 15 minutos do segundo tempo. Numa reação que entrou para a história, o Cruzeiro chegou ao empate adiando a comemoração alvinegra. Nas duas rodadas seguintes, o Galo perdeu um precioso ponto no empate em 1 a 1, com o Villa Nova, que permitiu ao Cruzeiro alcançá-lo na tabela de classificação.

A decisão foi programada para janeiro de 1968, com o primeiro clássico sendo disputado no dia 14 de janeiro. Mais do que uma decisão, esse clássico teve outra importância: Atlético e Cruzeiro estrearam nas telas do cinema. O cinejornal Canal 100, produzido por Carlos Manga, registrou a partida e exibiu os melhores momentos durante a semana, antes dos longa metragens nas salas de cinema do país.

Foi o duelo de duas equipes que seguiam planejamentos distintos. O Cruzeiro era formado por um plantel de jovens jogadores e que tinha como prioridade a forma técnica e o conjunto. Por outro lado, o Atlético apostava num quadro formado por jogadores experientes e num plano de preparação física elaborado por profissionais contratados pelo Clube. Os alvinegros acreditavam que, no futuro, a preparação física iria superar a preparação técnica em nosso futebol. E essa tendência iria se confirmar a partir da década seguinte.

O Cruzeiro pretendia vencer a decisão para conquistar um tricampeonato, mas para isso teria que quebrar um tabu. O Atlético não perdia decisões diretas de título desde 1951, quando foi derrotado pelo Villa Nova. O Galo havia vencido seis finais consecutivas, sendo três contra o Cruzeiro, em 1954, 1956 (que teve o título dividido) e de 1962. As outras foram em 1953, contra o Villa, e em 1958, contra o América.

No primeiro jogo da decisão do Estadual de 1967, o Atlético teve um pênalti marcado ao seu favor, logo aos 4 minutos, mas o goleiro Raul defendeu a cobrança do atacante Ronaldo. A partir desse lance, o destaque da partida foi o ponta-direita Natal, do Cruzeiro. O “Diabo Loiro” marcou dois gols e ainda provocou o gol contra do zagueiro Vander. O atacante Buião marcou o gol do Atlético. O segundo jogo da decisão foi no dia 21 de janeiro. Apesar de não ter sido filmado pelas câmeras do Canal 100, o jogo foi uma exibição cinematográfica do Cruzeiro. O Atlético conseguiu equilibrar as ações até os primeiros quinze minutos de jogo, mas a partir daí o Cruzeiro impôs seu estilo “rápido e rasteiro”.

Tostão abriu o placar aos 41 e Dirceu Lopes ampliou aos 45. Na etapa final, após o terceiro gol marcado por Evaldo, aos 22 minutos, o time cruzeirense aplicou um “olé" histórico, enquanto a torcida cantava “está chegando a hora”. Num momento da partida, o time tocou a bola, de pé em pé, fazendo ela ir e voltar do ataque para a defesa por duas vezes, sem que os atleticanos conseguissem interceptar. A vitória então encerrou a série sem a necessidade de uma terceira partida e confirmou o tricampeonato celeste.

1972 – Cruzeiro

O Campeonato Mineiro de 1972 seria decidido num quadrangular final, em turno e returno, mas como Cruzeiro e Atlético terminaram a fase empatados com oito pontos, o regulamento previa a realização de um jogo extra.

E no feriado de 7 de setembro eles entraram no Mineirão disputando a taça.

Tostão tinha deixado a Toca naquele ano e a estrela cruzeirense, Dirceu Lopes, saiu machucado de um clássico em 20 de agosto, pela fase final. Seu substituto foi o então garoto Palhinha.

E foi a revelação da base o grande nome daquela decisão. Ele abriu o placar aos 36 minutos da etapa final, mas Dario empatou a decisão aos 16 minutos do segundo tempo.

O empate por 1 a 1 persistiu até o final e o regulamento previa a disputa de uma prorrogação para se decidir o título.

O Galo, campeão mineiro em 1970 e brasileiro, no ano seguinte, tentava confirmar o bom momento.

A Raposa, penta de 1965 a 1969, tentava recuperar a taça estadual, que tinha deixado escapar nas duas últimas temporadas.

E Palhinha garantiu o título, marcando aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação o gol da vitória cruzeirense.

1976 - Atlético

O Cruzeiro tinha vencido nove dos 11 Campeonatos Mineiros disputados no Mineirão a partir da inauguração do estádio, em 1965, e chegava à decisão de 1976, que aconteceu no início de 1977, credenciado pelo título da Copa Libertadores no ano anterior. Mas isso não foi decisivo, pois o Atlético tinha a maior geração que o clube já revelou em todos os tempos e ela fez a diferença nessa que foi a terceira final direta entre os dois rivais no Gigante da Pampulha, a primeira vencida pelo Galo.

O Campeonato Mineiro de 1976 foi bem bagunçado e acabou tendo o hexagonal final, que apontaria os dois finalistas, abreviado pela disparada de Atlético e Cruzeiro. Assim, a última rodada da etapa não foi disputada, pois já se aproximava o Brasileirão da temporada.

Só em 27 de março de 1977 começou a decisão do Estadual do ano anterior com o Mineirão recebendo 99.044 pagantes. A vitória do Atlético por 2 a 0 encaminhou a taça e carrega uma grande polêmica. No primeiro gol, aos 18 minutos do primeiro tempo, Marcelo cruzou da esquerda, Reinaldo chutou de primeira, a bola desviou em Darci Menezes e enganou Raul.

Claramente um gol de Reinaldo, mas o desvio fez com que José Roberto Wright, que apitou a partida, colocasse na súmula gol contra do zagueiro cruzeirense. No início da etapa final, num contra-ataque, Marcelo fez 2 a 0.

Em 3 de abril, com 103.725 pagantes, o Mineirão viu uma das maiores festas da torcida atleticana em todos os tempos. Reinaldo voltou a abrir o placar na primeira etapa, com Marcelo, de falta, no segundo tempo, decretando novo 2 a 0, que deu ao Galo o seu segundo título estadual na chamada Era Mineirão.

E a conquista foi fruto da força da base do clube. Do time campeão, apenas o goleiro argentino Ortiz não tinha sido formado nas categorias de base alvinegras.

1977 - Cruzeiro

Menos de seis meses após decidirem o Campeonato Mineiro de 1976, Atlético e Cruzeiro voltaram a fazer uma final direta valendo o título, mas dessa vez de 1977. E o favoritismo era todo alvinegro, pois o time de Reinaldo, Toninho Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro e companhia encantava o Brasil com um futebol alegre e objetivo.

E no primeiro jogo, em 25 de setembro de 1977, o Galo fez valer esse favoritismo vencendo por 1 a 0, gol do meia Danival, ficando a mais uma vitória do bicampeonato.

Na segunda partida, em 2 de outubro, a impressão inicial era de que o título estadual seguiria com o Atlético, pois Marinho fez 1 a 0 logo aos cinco minutos. Mas aí entrou em ação o grande personagem daquela decisão, o centroavante uruguaio Revetria.

Ele marcou o primeiro hat-trick da história do clássico no Mineirão e o Cruzeiro forçou a terceira partida vencendo por 3 a 2, de virada.

Com 122.534 pagantes, Cruzeiro e Atlético decidiram em 9 de outubro de 1977 o Campeonato Mineiro daquela temporada. O Galo saiu na frente, com Reinaldo, no primeiro tempo, mas Revetria empatou na etapa final.

Na prorrogação, Lívio e Joãozinho decretaram mais uma virada cruzeirense e a conquista do título pela Raposa.

Era a 13ª edição do Campeonato Mineiro na Era Mineirão e o Cruzeiro chegava ao seu décimo título.

1985 - Atlético

Depois de oito anos da última final entre eles, que havia acontecido em 1977, Atlético e Cruzeiro voltaram a decidir o Campeonato Mineiro em 1985. O Galo, que tinha sido hexacampeão estadual entre 1978 e 1983, tentava recuperar o título, perdido para o rival em 1984.

A diferença técnica entre os dois times era muito grande, com o Atlético sendo superior e provando isso em campo. Dos 11 clássicos disputados em 1985, um recorde que só tinha ocorrido em 1979, o Galo venceu quatro, seis terminaram empatados e apenas uma vitória cruzeirense foi registrada. No Estadual, foram nove confrontos, com três vitórias atleticanas e seis empates. Mas as três partidas que decidiram a competição naquele ano foram marcadas pelo equilíbrio.

O primeiro jogo, em 8 de dezembro, foi o pior de todos. Um 0 a 0 chato, de poucas emoções, que espantou o público da segunda partida, três dias depois, que teve apenas 24.692 pagantes, embora o vencedor pudesse fazer a festa do título.

Emoção

O segundo confronto foi emocionante, com o Cruzeiro saindo na frente, com Carlinhos Sabiá, o Galo virando, com gols de Batista e Paulo Isidoro, este aos 39 do segundo tempo, e Mirandinha decretando a igualdade a dois minutos do final.

Do dia 15 de dezembro não passava, e o campeão mineiro da temporada seria conhecido, nem que fosse nos pênaltis. Mas, na prorrogação, depois de 0 a 0 no tempo normal, com um gol do centroavante Paulinho Kiss, o Galo recuperou a taça, diante de quase 90 mil pessoas que lotavam o Mineirão.

1987 - Cruzeiro

Com o Atlético campeão do turno, e o Cruzeiro do returno, o Campeonato Mineiro de 1987 voltou a ser decidido entre os dois rivais numa final direta. Os alvinegros buscavam o tri em sequência, e os celestes o direito de gritar: “É campeão!” oficialmente depois de uma década.

Depois do título de 1977, com uma grande virada sobre o favorito Galo, a Raposa venceu a edição de 1984, mas aquele torneio foi parar nos tribunais por uma dupla interpretação do regulamento, e o Cruzeiro só foi declarado campeão oficialmente em 1990.

Em 1987, nada atrapalhou a festa. No primeiro jogo, em 29 de julho de 1987, os dois rivais empataram sem gols no Mineirão, com as duas torcidas gritando: “marmelada”.

Em 2 de agosto o campeão sairia de qualquer maneira. E essa partida marcou o início de um grande ídolo celeste justamente por ser carrasco alvinegro nos clássicos. É o meia-atacante Careca, revelação da base cruzeirense e que tinha apenas 18 anos quando fez o gol que abriu o caminho para vitória que garantiu o título, logo no início da etapa final.

Aos 51 minutos, o jogo foi encerrado pelo gol de Robson, que decretou o 2 a 0 para o Cruzeiro. Com o gramado invadido pela torcida cruzeirense, o árbitro baiano Nei Andrade Nunes Maia não teve outra saída.

1990 - Cruzeiro

Com cada um vencendo um turno Cruzeiro e Atlético decidiram o título do Campeonato Mineiro de 1990 numa partida única, que levou quase 100 mil pessoas ao Mineirão, sendo mais de 90 mil pagantes.

A Raposa encerrava uma década muito ruim, onde levantou o caneco em Minas Gerais apenas em 1984 e 1987. O rival buscava sua oitava taça a partir de 1981, que significaria o tricampeonato em sequência.

Grande nome da final de 1987, quando abriu a vitória por 2 a 0 que garantiu o título, o meia-atacante Careca foi ainda mais decisivo em 1990.

E aos dez minutos do segundo tempo ele marcou, de cabeça, o gol do título cruzeirense, escorando cobrança de escanteio de Edson da direita.

Este título é muito importante na história do Cruzeiro, pois significou a virada. Até 2004, foram 15 temporadas consecutivas com o clube ganhando pelo menos uma taça.

E nesta conta entram Copa Libertadores (1997), a Tríplice Coroa de 2003, mais três Copas do Brasil (1993, 1996 e 2000), Recopa Sul-Americana (1998) e o bicampeonato da Copa Sul-Minas (2001 e 2002), entre outros.

Resumindo: o gol de Careca abriu o período mais vitorioso da história do Cruzeiro.

1998 - Cruzeiro

Oito anos após a final de 1990, vencida pelo Cruzeiro, que impediu o tricampeonato em sequência do Atlético, que tinha levantado a taça em 1988 e 1989, os dois rivais voltaram a se enfrentar na briga pelo título mineiro de 1998 com o Cruzeiro buscando o tri, pois tinha sido campeão em 1996 e 1997.

Foi a primeira vez que o título foi decidido no sistema de play-off. Com isso, o campeão seria o time que somasse quatro pontos primeiro. Como o Atlético teve a melhor campanha nas fases anteriores, chegou à finalíssima com a vantagem de três empates, pois já somava um ponto.

Curiosamente, as duas equipes perderam seus goleiros titulares para aquela decisão. Taffarel, pelo lado atleticano, e Dida, pelo cruzeirense, foram convocados por Zagallo para a disputa da Copa do Mundo na França. Assim, o reserva Hiran assumiu a meta alvinegra, enquanto o experiente Paulo César era o arqueiro estrelado.

O primeiro confronto, em 7 de junho, consagrou o atacante Fábio Júnior, ainda com 20 anos. Em 30 minutos de jogo, ele aproveitou as falhas de Dedê, Lima e Bruno para marcar seus gols e abrir a vantagem de 3 a 0.

Após o terceiro gol, Hiran sentiu uma lesão nas costas e foi substituído pelo garoto Emerson, promessa da base atleticana com passagens pelas categorias de base da Seleção Brasileira.

Antes de Fábio Júnior, apenas o centroavante uruguaio Revetria, também com a camisa cruzeirense, tinha alcançado um hat-trick num clássico de finais diretas do Campeonato Mineiro.

Com o placar dilatado, o treinador cruzeirense Levir Culpi resolveu administrar o resultado e permitiu a reação atleticana que, à base da vontade, diminuiu o marcador para 3 a 2, com gols de Edgar e Lincoln.

O Cruzeiro ainda poderia ter ampliado, caso Marcelo Ramos, não desperdiçasse duas chances claras nos minutos finais.

Com a vitória no primeiro jogo, a Raposa precisava apenas de um empate para ser campeão na segunda partida. Ao Galo, somente a vitória interessava para provocar o terceiro embate.

O duelo ocorreu no feriado de Corpus Christi. O Cruzeiro administrou a vantagem e ficou com o título após empate sem gols.

2000 - Atlético
A última edição do Campeonato Mineiro no século passado teve uma final direta entre Atlético e Cruzeiro num momento especial para os dois clubes. Depois de um longo período afastado da Copa Libertadores, o Atlético disputaria o torneio continental.

Para a temporada de 2000, o time vice-campeão brasileiro de 1999 ganhou reforços de peso, como o zagueiro/volante Gilberto Silva, na época uma revelação do América, o volante Cleison, que estava no Grêmio e o meia Ramon, que veio do Vasco.

O Cruzeiro vivia tempos de fartura, pois começava a viver a curta parceria com a Hicks, Muse, Tate e Furst Incorporated (HMTF). Com isso, se reforçou com medalhões, como Zé Maria, Cléber e Oséas, todos ex-Palmeiras, além do argentino Sorín e do colombiano Viveros.

Apesar das grandes contratações, o time da Toca não conseguiu engrenar no Campeonato Mineiro, que foi dominado pelo Atlético.

Dono da melhor campanha na fase preliminar da competição, o Galo entrou na final com um ponto extra. E ficou muito próximo da taça com a vitória de 2 a 1 na primeira partida decisiva.

Uma dupla de ataque que fez história com a camisa alvinegra brilhou no confronto. Marques abriu o placar, no primeiro tempo, e Guilherme fez 2 a 0, na etapa final. Geovanni ainda descontou para o Cruzeiro.

Com a vitória no primeiro confronto, o Galo passou a depender apenas de um empate para ser campeão, pois o título foi decidido numa melhor de cinco.

E a taça foi garantida com um empate por 1 a 1, numa noite de quarta-feira. Mais uma vez a equipe atleticana saiu na frente, com um gol do meia Ramon. Fábio Júnior chegou a empatar para o Cruzeiro, mas a festa do Galo já estava garantida.

Um aspecto que chama a atenção nos dois jogos finais é a baixa presença de público. Isso aconteceu por causa de uma promoção feita por uma cervejaria.

A empresa patrocinou o Estadual e ganhou em troca ingressos, que foram distribuídos a clientes e fornecedores, sem que os bilhetes entrassem nos borderôs das partidas.

2004 - Cruzeiro

Pode-se dizer que 2004 abriu uma era no Campeonato Mineiro, e que ela dura até os dias de hoje. E a primeira decisão nesse formato foi entre os dois rivais, com muita rivalidade e até pancadaria em campo.

Na partida de ida, o Galo largou na frente, com Alex Mineirão, mas com um show do garoto Jussiê, o Cruzeiro chegou à virada e fez 3 a 1 na partida de ida da decisão.

Na volta, o Atlético precisava devolver a diferença por dois gols para ser campeão. A Raposa poderia perder por até um gol de diferença. E foi isso que aconteceu, pois o Galo ganhou por 1 a 0, com um gol do zagueiro Luiz Alberto.

O final da partida foi marcado por uma briga generalizada, que teve como personagens principais o zagueiro cruzeirense Cris e o goleiro atleticano Eduardo.

2007 - Atlético

O Atlético tinha sido campeão da Série B no ano anterior e com a mesma base levantou a sua primeira taça do Campeonato Mineiro neste século. E ela foi garantida no confronto de ida, quando goleou por 4 a 0, num jogo que ficou marcado pelo último gol, do centroavante Vanderlei.

Logo após o terceiro gol alvinegro, o Cruzeiro bobeou na saída de bola e Vanderlei avançou livre. E tocou a bola para o gol praticamente vazio, pois o goleiro celeste, Fábio, estava de costas para o campo. Assim nasceu o chamado “Gol de Costas”. Com a goleada, o técnico Paulo Autuori, que dez anos antes tinha levado os celestes à conquista da Libertadores, deixou o comando do time da Toca.

No jogo de volta, com Emerson Ávila como interino e com um time bem modificado, o Cruzeiro fez 2 a 0, gols dos garotos Wellington e Guilherme, que naquele ano tinham vencido a Copa São Paulo pelo clube, mas o saldo foi insuficiente para impedir a primeira conquista estadual do Atlético neste século.

2008 – Cruzeiro

Assim como no ano anterior, o título foi decidido na partida de ida. Isso porque o Cruzeiro, comandado por Adilson Batista, aplicou a maior goleada da história do clássico no Mineirão, fazendo 5 a 0.

Na segunda partida, a Raposa voltou a vencer, fazendo 1 a 0, gol de Marcelo Moreno, e garantiu a taça.

2009 - Cruzeiro

A história do ano anterior praticamente se repetiu. O Cruzeiro fez 5 a 0 na partida de ida e ficou muito próximo do bicampeonato em sequência, garantido com um empate por 1 a 1 na partida de volta.

2011 – Cruzeiro

A única final direta entre Atlético e Cruzeiro disputada no interior teve a Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, como palco. E no final, a festa foi cruzeirense. Diferentemente das decisões anteriores, os dois jogos que decidiram o Campeonato Mineiro de 2011 tiveram torcida única. E cada um venceu em seus domínios.

Na ida, o Galo fez 2 a 1, carregando a vantagem do empate para a partida de volta. Mas empurrado pela China Azul, o Cruzeiro venceu por 2 a 0 e garantiu a única taça do Estadual 100% disputada no interior.

2013 - Atlético

Antes da conquista da Libertadores, o atleticano teve outra alegria na temporada 2013, que foi a conquista do Campeonato Mineiro de forma especial. Isso porque nessa temporada, cada clube jogava num estádio em Belo Horizonte.

Na partida de ida, no Independência, com sua torcida sendo maioria absoluta no Horto, o Galo fez 3 a 0, dando um passo enorme para o bicampeonato em sequência.

No Mineirão, o Cruzeiro só ficaria com a taça se devolvesse os três gols de diferença. E chegou a fazer 2 a 0, com gols de pênaltis, ambos cobrados pelo atacante Dagoberto.

Mas na etapa final, também de pênalti, Ronaldinho Gaúcho diminuiu para o Galo, que mesmo perdendo por 2 a 1 ganhou o primeiro título disputado no novo Mineirão, inaugurado em fevereiro de 2013 para ser sede das Copas da Confederações e do Mundo (2014).

2014 – Cruzeiro

A vantagem de jogar por dois empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols foi fundamental para o Cruzeiro levantar a taça. Isso porque tivemos em 2014 a única final entre os dois rivais sem gol. Na ida, no Independência, eles ficaram no 0 a 0, mesmo placar da volta, no Mineirão, quando os cruzeirenses fizeram a festa.

2017 – Atlético

A decisão de 2017 aconteceu no Estádio Independência. No primeiro jogo, no Mineirão, com mando do Cruzeiro, os dois times empataram por 0 a 0. Na volta, no Gigante do Horto, o Galo jogava pelo empate para ser campeão, mas garantiu a taça vencendo por 2 a 1.

2018 - Cruzeiro

Na partida de ida, no Independência, o Atlético chegou a abrir 3 a 0, com destaque para o centroavante Ricardo Oliveira, autor de dois gols. Mas no final, o uruguaio Arrascaeta marcou e deixou o Cruzeiro vivo na disputa.

O jogo de volta, no Mineirão, teve o mesmo Arrascaeta marcando para o Cruzeiro logo no início do jogo e a expulsão do venezuelano Otero, do Atlético, também na primeira etapa.

No segundo tempo, Thiago Neves marcou o gol do título celeste.

2019 – Cruzeiro

O Cruzeiro era bicampeão da Copa do Brasil, com os títulos de 2017 e 2018, e o Atlético tentava impedir a mesma sequência no Campeonato Mineiro. A rivalidade entre as diretorias dos dois clubes era enorme, até com episódios de ameaças partindo de torcedores colocados em camarotes.

No jogo de ida, no Mineirão, a Raposa fez 2 a 1 e foi ao Independência precisando do empate. O Galo chegou a fazer 1 a 0, placar que lhe daria a taça, mas de pênalti, o centroavante Fred, que no ano anterior tinha trocado o Atlético pelo Cruzeiro, numa transferência polêmica, decretou a igualdade e o bicampeonato celeste.

2022 – Atlético

O Campeonato Mineiro foi decidido numa partida única, assim como acontece neste ano, com o Mineirão dividido entre as duas torcidas. O Cruzeiro vivia os primeiros meses como SAF e sob o comando do ex-jogador Ronaldo. O Atlético ainda saboreava o ano inesquecível de 2021, quando venceu, além do Estadual, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

Com Hulk e Nacho Fernández iluminados, o Galo venceu por 3 a 1 num dia em que o Gigante da Pampulha teve as duas torcidas fazendo festa. A atleticana pelo título, um tricampeonato em sequência. Os cruzeirenses percebiam que o clube, que amargaria sua terceira Série B, começava a viver novo momento, o que realmente aconteceu, pois a Raposa subiu naquela temporada.

2024 – Atlético

A Arena MRV, inaugurada no ano anterior, entra na história das finais entre Atlético e Cruzeiro. E sedia o primeiro jogo entre eles. O Galo, sob o comando de Gabriel Milito, que tinha acabado de chegar ao clube substituindo Luiz Felipe Scolari, que tinha caído após sofrer diante do América nas semifinais, fez um grande primeiro tempo e abriu 2 a 0. Mas na etapa final a Raposa chegou ao empate.

Assim, no Mineirão, o Cruzeiro precisava apenas de outro empate para impedir o pentacampeonato atleticano. E ficou muito próximo disso que fez 1 a 0, com Mateus Vital, no início da etapa final. Mas o Atlético chegou a uma virada sensacional, com gol de Saravia, Hulk, de pênalti, e Gustavo Scarpa, que tinha chegado há pouco tempo.

Essa final foi disputada com os dois jogos sendo disputados com torcida única nos estádios, modelo diferente do que teremos em 2026, com o Gigante da Pampulha dividido ao meio como nos bons tempos.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro

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