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Os EUA acentuaram o conflito com o ataque ao Irã, ocorrido no último sábado (28). Desde então, surgiram questionamentos sobre a participação do país do Golfo Pérsico no Mundial.
Existe a chance do boicote ao torneio. Logo após os ataques, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou à televisão iraniana que, diante do cenário, não há como ter esperança de disputar o Mundial.
“O que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não podemos ter esperança de participar da Copa do Mundo”, declarou. Taj também anunciou a suspensão do campeonato nacional iraniano.
Especialista analisa cenário
Para entender como esses cenários geopolíticos podem impactar grandes eventos esportivos, a Itatiaia conversou com o especialista em política internacional Vito Villar. Ele citou que os eventos esportivos são, por natureza, um local de manifestação ufanista e de patriotismo. Contudo, na Copa do Mundo de 2026, existe uma nova realidade com o conflito direto entre Irã e Estados Unidos.
“Isso gera uma situação inédita. Já houve, inclusive, dificuldades diplomáticas. Em alguns eventos organizativos recentes da Copa, a delegação iraniana não esteve presente. Houve também problemas relacionados à emissão de vistos”, analisa.
“Além disso, existe um contexto político importante: a aproximação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente americano Donald Trump. Isso faz com que a entidade provavelmente tente evitar qualquer confronto diplomático direto”, completa.
O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito. Até aqui, o país ainda não tomou decisão sobre a participação ou não no mundial.
Nesse sentido, o especialista entende que existe uma grande possibilidade do boicote do Irã ao Mundial.
Quais podem ser as ações tomadas pelos Estados Unidos?
Nesse sentido, os Estados Unidos devem consentir com isso, com apoio da Fifa.
“Eu acho que o Irã vai optar por fazer isso (boicotar a Copa do Mundo). E eu acho que é uma saída segura para os Estados Unidos. Para lembrar também que a FIFA é quem decide, na verdade. Ela pode fazer o que quiser nesse caso. Ela pode optar por não deixar o Irã participar, ela pode optar por, sei lá, chamar qualquer país que queira, ela pode optar por não chamar país nenhum”, analisou.
“Então cabe à FIFA. E o Gianni Infantino estando tão próximo do Donald Trump, eu acho que provavelmente a posição dos Estados Unidos vai contar muito nesse caso. Donald Trump falou, inclusive, que não se importa com o que o Irã vai fazer com relação à Copa do Mundo. E eu acho que, na verdade, Donald Trump se importa muito pouco, de fato, com a Copa do Mundo de uma maneira geral”,
completou.
Donald Trump e Gianni Infantino nutrem boa relação às vésperas da Copa do Mundo
Vale destacar que Gianni Infantino e o presidente Donald Trump nutrem boa relação. O mandatário dos Estados Unidos da América, recebeu o Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O estadunidense foi o primeiro a receber a honraria da entidade máxima do futebol.
O que diz a CBF
O Brasil está distante do conflito direto. Contudo, participará da Copa do Mundo. Em contato com a reportagem da Itatiaia, a Confederação Brasileira de futebol (CBF) afirmou que acompanha os desdobramentos do conflitos, mas ainda não tem um posicionamento oficial.
“A CBF acompanha os acontecimento e está em contato permanente com a FIFA, mas por enquanto não vai se manifestar”, afirmou a CBF.
O que diz a FIFA
A Fifa observa com cautela o
Pessoas ligadas à entidade negam que o Irã tenha abdicado do direito de disputar o Mundial, por exemplo.
No dia 28 de fevereiro, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, considerou como ‘improvável’ a participação do Irã no Mundial. No entanto, Mehdi Taj não tomou nenhuma decisão definitiva.
Histórico de disputa da Copa
A Copa do Mundo não foi disputado entre 1939 e 1945 em função da Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, foi realizada sob a Ditadura Militar na Argentina em 1978. A entidade também foi criticada após realizar a competição na Rússia, em 2018, mesmo sob o contexto da invasão e anexação da região da Crimeia.
Repescagem no México
As partidas da repescagem estão previstas para ocorrer nos dias 26 e 31 de março, em Guadalupe e Guadalajara, no México. A competição contará com Nova Caledônia, Jamaica, República Democrática do Congo, Bolívia, Suriname e Iraque.
O país da América do Norte sofreu com uma onda de violência após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como ‘El Mencho’. A morte ocorreu no dia 22 de fevereiro e desencadeou um cenário de violência e protestos no país.
Agora, nove dias depois da morte de ‘El Mencho’, as escolas voltaram a funcionar e as atividades no país retomaram a normalidade. O Campeonato Mexicano não foi paralisado.
Desdobramentos ‘esportivos’
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Na manhã da segunda-feira (2), Mohammed ben Sulayen, presidente da Fia, divulgou nota oficial e afirmou que a entidade monitora os desdobramentos do enfrentamento entre os países.
“Neste momento de incerteza, esperamos por calma, segurança e um rápido retorno à estabilidade. O diálogo e a proteção dos civis devem continuar sendo prioridades”, diz trecho da nota.
O conflito atrapalhou a logística de equipes e jornalistas para chegar na Austrália, onde será disputado o primeiro Grande Prêmio da temporada, neste final de semana. Além disso, a F1 tem prevista duas corridas na região em abril: Bahrein e na Arábia Saudita.
Eventos esportivos no Irã foram cancelados por tempo indeterminado.
A Associação de Futebol do Catar adiou por prazo indefinido todas as partidas no país.
O conflito também prejudicou a logística de tenistas como Daniil Medvedev e Andrey Rublev. Os dois estavam em Dubai e estão inscritos no torneio de Indian Wells, que será disputado nos Estados Unidos.