Saiba como ajudar o filhote a dormir sozinho nas primeiras noites fora da ninhada

Tutor deve garantir que todas as necessidades básicas foram atendidas antes de iniciar o treinamento do sono

A forma como o tutor reage a esse chamado nos primeiros dias é o que vai determinar o equilíbrio emocional do pet

Quem tem ou já teve um filhote de cachorro em casa, sabe que as primeiras madrugadas podem ser complicadas para toda a família. O choro noturno é um comportamento instintivo, pois após ser retirado do convívio da mãe e dos irmãos, o animal sente-se vulnerável e usa a vocalização para chamar por proteção.

Porém, a forma como o tutor reage a esse chamado nos primeiros dias é o que vai determinar o equilíbrio emocional do pet. E por isso, estabelecer uma rotina e um ambiente seguro desde o primeiro dia é a base para prevenir distúrbios como a ansiedade de separação no futuro.

Um dos erros mais comuns cometidos por tutores é ceder ao choro e levar o filhote para a cama no primeiro sinal de reclamação. Segundo as diretrizes de comportamento canino defendidas pelo especialista Alexandre Rossi, atender prontamente ao chamado ensina ao cão que o choro é uma ferramenta eficaz para obter atenção.

Rossi explica que o ideal é ignorar a vocalização e recompensar o silêncio. “Se você vai até o filhote enquanto ele chora, está reforçando esse comportamento. O objetivo é que ele aprenda a se autorregular e entenda que o ambiente de dormir é seguro, mesmo sem a presença constante do humano”, destaca.

Para facilitar essa transição, a ciência veterinária recomenda o uso de “confortadores” que simulem a presença da ninhada. O uso de bolsas de água morna, devidamente protegidas por tecidos para evitar queimaduras, por exemplo, ajuda a manter a temperatura do ninho, trazendo conforto térmico ao animal.

Outra tecnologia aliada são os feromônios sintéticos, substâncias que imitam o odor liberado pela mãe durante a amamentação e promovem uma sensação de calma. Criar um ambiente aconchegante reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, nas primeiras noites fora do ambiente de origem.

Além do conforto físico, o gasto de energia durante o dia é essencial para uma noite tranquila. Segundo especialistas em etologia canina, um filhote que não teve estímulos mentais e físicos adequados chegará na hora de dormir com excesso de disposição, o que agrava a agitação noturna.

A criação de um ritual de sono, como reduzir as luzes e o barulho da casa perto da hora de dormir, são estratégias que ajudam o relógio biológico do cão a se ajustar à rotina dos moradores.

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A Itatiaia resumiu em lista alguns passos práticos para ajudar o filhote a dormir melhor e mais tranquilamente:

  • Simular o calor da mãe

Coloque uma bolsa de água morna sob a manta do pet, pois o calor ajuda o animal a relaxar e se sentir acolhido.

  • Uso de feromônios

Consulte seu veterinário sobre difusores de feromônios sintéticos. Eles ajudam a sinalizar ao cão que aquele ambiente é seguro.

  • Gasto de energia

Brinque com o filhote antes do horário de dormir. Um animal cansado tende a cair no sono mais rápido.

  • O “choro estratégico”

Se o cão já fez as necessidades, comeu e está seguro, evite ir até ele se estiver chorando apenas por atenção. Espere um momento de silêncio para interagir.

E atenção: se o choro vier acompanhado de apatia ou falta de apetite durante o dia, a consulta com um médico veterinário é indispensável para descartar dores ou doenças infecciosas.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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