Embora cães e gatos dominem as estatísticas de castração, o procedimento tem se tornado uma recomendação veterinária também para os
De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em seus manuais de cuidados com animais exóticos, a castração é considerada um pilar da posse responsável, pois coelhos não castrados tendem a desenvolver sérios
O risco mais alarmante para as fêmeas não castradas é o adenocarcinoma uterino, um tipo de câncer agressivo. Segundo diretrizes da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), a incidência dessa neoplasia pode atingir até 80% das fêmeas acima de quatro anos de idade. Para a entidade, a cirurgia não é um luxo, mas uma medida preventiva que pode aumentar a expectativa de vida do animal.
Além da questão oncológica, a castração é a solução definitiva para comportamentos que costumam levar ao abandono, ainda de acordo com a Abravas. Coelhos são animais territoriais e, sob influência hormonal, podem se tornar agressivos e até morder tutores.
Selene Sanches, médica veterinária referência em animais exóticos e silvestres no Brasil, a mudança comportamental pós-cirúrgica é nítida. “A castração reduz drasticamente a
Para os machos, a cirurgia previne o câncer de testículo e reduz o estresse constante causado pela frustração sexual, que muitas vezes se manifesta em comportamentos “de montar”, mas especialistas alertam que a cirurgia em coelhos exige um protocolo anestésico diferenciado daquele usado em cães.
De acordo com Sanches, os coelhos são animais muito sensíveis ao estresse e à dor e por isso exigem um profissional especializado em animais exóticos e exames pré-operatórios rigorosos para garantir a segurança do procedimento.
A Itatiaia preparou uma lista com os principais benefícios e cuidados sobre a castração de coelhos:
- Nas fêmeas, elimina o risco de tumores uterinos e mamários; nos machos, previne tumores testiculares.
- Higiene doméstica: “O animal castrado aprende muito mais rápido a usar a caixa de areia, pois perde o instinto de demarcar o território com urina de odor forte”, destaca Selene Sanches.
- Reduz comportamentos destrutivos e ataques motivados por hormônios, o que irá facilitar a interação com crianças e outros pets.
- Para que dois coelhos vivam juntos sem brigas fatais, é indispensável que ambos estejam castrados.
- O pós-operatório exige atenção redobrada à alimentação. Diferente de cães, os coelhos nunca devem fazer jejum prolongado antes ou depois da cirurgia, sob risco de estase gastrointestinal.
Os tutores devem ficar atentos, pois a decisão pela castração deve ser tomada em conjunto com um veterinário especializado em animais silvestres e exóticos. De acordo com as normas do CFMV, “o sucesso da cirurgia depende de um ambiente hospitalar equipado para as particularidades biológicas dos pequenos herbívoros”.