Ministério da Agricultura endurece o monitoramento de remédios veterinários; saiba mais

Fabricantes e importadores deverão manter estrutura permanente de acompanhamento para garantir que reações inesperadas nos animais sejam reportadas e investigadas com agilidade

Novo marco regulatório para a farmacovigilância veterinária visa monitorar com mais precisão os efeitos adversos de medicamentos após a sua chegada às prateleiras

A segurança de medicamentos, vacinas e produtos de higiene voltados para pets passará por um controle muito mais rigoroso no Brasil a partir de 2026. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu um novo marco regulatório para a farmacovigilância veterinária, com o objetivo de monitorar com precisão os efeitos adversos de remédios após a sua chegada às prateleiras.

A medida, oficializada pela Portaria nº 1.472/2025, obriga fabricantes e importadores a manterem uma estrutura permanente de acompanhamento de riscos, para garantir que qualquer reação inesperada nos animais seja reportada e investigada com agilidade.

O novo regulamento amplia o conceito de vigilância para o modelo de “Saúde Única”, que entende que a saúde animal, humana e ambiental estão interconectadas. Na prática, isso significa que o monitoramento não olhará apenas para os efeitos no pet, mas também para o impacto de resíduos de medicamentos no meio ambiente e o risco de desenvolvimento de resistência antimicrobiana.

Segundo as novas regras, as empresas titulares de registro de produtos veterinários são agora obrigadas a manter um Serviço de Farmacovigilância Veterinária formalizado, com um médico-veterinário responsável atuando no país e um canal de atendimento direto e rastreável para os tutores.

Uma das mudanças mais significativas para o consumidor final é a definição de prazos curtos para a notificação de problemas graves. Conforme estabelece a nova portaria, qualquer evento adverso grave deve ser comunicado ao Mapa em até 30 dias corridos. Em situações de urgência, como defeitos de fabricação que coloquem a vida do animal em risco imediato, a comunicação deve ocorrer em no máximo 72 horas.

Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), essa transparência é fundamental para evitar tragédias em massa e levar ao recolhimento rápido de lotes contaminados ou ineficazes.

Além do monitoramento imediato, o Mapa exigirá o Relatório Periódico de Segurança (RPS). Esse documento funcionará como um dossiê contínuo sobre a segurança e a eficácia de cada produto comercializado no Brasil.

“O objetivo é garantir que a relação benefício-risco de um remédio continue favorável ao longo de toda a sua vida comercial”, destaca o texto da nova regulamentação. Produtos mais novos, que acabaram de entrar no mercado, terão fiscalização ainda mais frequente nos primeiros anos de uso para garantir que o tutor tenha acesso apenas a tratamentos comprovadamente seguros.

Leia também

A Itatiaia resumiu o que muda e como o tutor pode contribuir para a segurança do seu pet:

  • Obrigação das empresas

Fabricantes devem ter bancos de dados auditáveis e equipes treinadas para registrar qualquer queixa de reação adversa relatada por tutores ou veterinários.

  • Canal de atendimento

Todo produto veterinário deverá oferecer um meio de contato para que o usuário relate suspeitas de ineficácia ou efeitos colaterais.

  • Sistema eletrônico nacional

O Ministério da Agricultura implementará um sistema unificado para que médicos-veterinários e empresas notifiquem incidentes de forma digital.

  • Medidas corretivas

Caso um risco seja detectado, o Mapa pode ordenar desde a alteração imediata da bula até a suspensão das vendas e o cancelamento do registro do produto.

  • Papel do tutor

Ao notar qualquer reação estranha no animal após o uso de um medicamento, é essencial relatar ao veterinário e ao fabricante, munido do lote e da data de validade do produto.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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