Ao contrário do que diz o senso comum, os gatos não são apenas animais independentes e “indomáveis"; eles
Mas o mito de que felinos não aceitam treinamento surge, muitas vezes, da tentativa de educá-los como se fossem cães. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o adestramento de gatos, quando focado no bem-estar, é uma boa ferramenta de enriquecimento ambiental, e que ajuda a reduzir o estresse e a prevenir problemas comportamentais comuns em ambientes urbanos.
A chave para o sucesso no treinamento felino está em uma técnica conhecida como reforço positivo. Diferente do castigo ou da bronca, que apenas geram medo e distanciamento
Segundo orientações técnicas da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (Abfel) , o gato é um animal “oportunista”: se ele percebe que determinada ação resulta em um benefício imediato, como um petisco saboroso, um carinho ou uma brincadeira, ele tenderá a repetir esse comportamento com frequência.
O médico veterinário e especialista em comportamento animal, Alexandre Rossi, conhecido por suas diretrizes de adestramento inteligente, defende em seus materiais educativos que o treinamento deve ser encarado como uma forma de comunicação. Para ele, é possível ensinar desde comandos básicos, como “sentar” ou “vir” quando chamado, até comportamentos essenciais para a saúde, como aceitar o corte de unhas, o transporte na caixa e a escovação dos dentes sem resistência.
O segredo, segundo o especialista, está na divisão do comando em pequenas etapas e na constância das sessões, que devem ser curtas (de três a cinco minutos) para não entediar o felino.
Além dos truques, o treinamento é a solução mais eficaz para corrigir hábitos indesejados, como subir em bancadas de cozinha ou arranhar móveis. De acordo com os manuais de etologia felina, o tutor deve oferecer uma alternativa atraente, como um arranhador vertical alto, e premiar o gato sempre que ele utilizar o objeto correto.
Com o tempo, o animal associa que o arranhador gera prazer e recompensa, enquanto o sofá deixa de ser o alvo principal. O “investimento em paciência” é, segundo os adestradores, o principal ativo do tutor nesse processo de adaptação.
Os tutores devem se lembrar que o treinamento não serve para “mudar a personalidade” do gato, mas para integrar o animal de forma saudável à rotina da casa. Isso porque um gato estimulado mentalmente é um animal muito mais calmo e menos propenso a doenças psicossomáticas.
A Itatiaia preparou um guia de passos básicos para os tutores começarem:
Identifique o prêmio ideal
Descubra o que mais motiva seu gato: pode ser um sachê, um pedaço de frango cozido (sem tempero) ou o brinquedo favorito.
Sessões curtas e alegres
O gato perde o foco rapidamente. Faça treinos rápidos, de no máximo 5 minutos, em momentos em que ele esteja acordado e disposto.
O uso do clicker
O som do aparelho (ou um estalo de língua) ajuda o gato a entender exatamente qual movimento está sendo premiado. O som deve ser seguido imediatamente pelo petisco.
Nunca utilize punição física
Gatos são sensíveis e o uso da força ou gritos quebra o vínculo de confiança, podendo resultar em agressividade por medo.
Foque na caixa de transporte
Treine o gato a entrar na caixa voluntariamente, oferecendo comida dentro dela. Isso reduz drasticamente o estresse em idas ao veterinário.