Eles dominam as redes sociais com sua aparência de “urso de pelúcia” e nomes atrativos como Goldendoodle, Labradoodle e Bernedoodle. Os chamados Doodles se tornaram uma verdadeira febre mundial e ganham cada vez mais espaço.
Mas por trás da aparência encantadora, existe uma realidade técnica importante: os Doodles não são raças puras, mas sim cruzamentos entre
A proposta original do cruzamento, surgida na Austrália, era criar cães-guia que não soltassem pelo e unissem a inteligência do Poodle à docilidade do Retriever. Porém, por serem cães híbridos de primeira ou segunda geração, não há garantia genética de que o filhote herdará apenas as melhores características dos pais.
Especialistas da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que também monitoram o impacto de pets exóticos no ambiente doméstico, explicam que a previsibilidade de temperamento e pelagem em cães mistos é menor do que em raças estabilizadas há séculos.
Um dos maiores mitos em torno dos Doodles é que eles seriam 100% “hipoalergênicos”. Segundo o médico veterinário e geneticista canino, Camilo Alvarenga, a pelagem pode variar drasticamente mesmo dentro de uma mesma ninhada.
“Um filhote pode herdar o pelo encaracolado do Poodle que não cai, enquanto o irmão pode ter o pelo do Golden que solta muito resíduo. Não existe garantia científica de hipoalergenicidade em cruzamentos de primeira geração”, afirma o especialista em diretrizes de criação ética. Além disso, o pelo do Doodle exige manutenção rigorosa, com escovação diária para evitar nós que podem causar dermatites severas.
Outro ponto de atenção é a “vigor híbrido”, a ideia de que cães mistos são sempre mais saudáveis. Embora a diversidade genética ajude, o tutor deve estar atento às doenças hereditárias comuns às duas raças de origem, como a displasia coxofemoral e problemas oculares.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a compra de qualquer animal deve ser precedida de uma visita ao criadouro e da exigência de laudos de saúde dos pais do filhote.
“Sem um padrão de raça definido por entidades oficiais, o controle sobre a saúde e o temperamento do animal fica totalmente a cargo da ética do criador”, destaca Alvarenga.