Saiba como estimar a idade de uma calopsita e garantir a longevidade da ave

Depois da primeira troca de penas, que ocorre por volta dos seis a nove meses, as características físicas se tornam muito sutis

Saber a idade exata de uma calopsita pode ser difícil, principalmente se o animal não tem uma anilha, aquele anel de identificação na pata com o ano de nascimento

Quando bem cuidadas, calopsitas podem viver entre 15 e 25 anos e a longevidade dela está diretamente ligada à qualidade da alimentação e ao enriquecimento ambiental. “A calopsita é um animal extremamente social e inteligente. Quando ela não recebe estímulos ou vive em uma gaiola pequena, desenvolve estresse que baixa sua imunidade e encurta sua vida”, explica o médico veterinário especialista em animais silvestres, Rodrigo Ferreira.

Saber a idade exata de uma calopsita pode ser difícil, principalmente se o animal não tem uma anilha, aquele anel de identificação na pata com o ano de nascimento. Conforme orientam os manuais de ornitologia e as diretrizes da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), após a primeira troca de penas, que ocorre por volta dos seis a nove meses, as características físicas se tornam muito sutis.

Mas é possível diferenciar um pássaro jovem de um adulto por meio de sinais clínicos. As calopsitas filhotes, por exemplo, têm bicos e unhas mais claros, lisos e “macios”. As aves adultas apresentam o bico com uma coloração mais escura e textura levemente descamada.

Para o veterinário Alessandro de Biagi, a observação do comportamento também ajuda na estimativa: “Filhotes são mais desajeitados e possuem a crista mais curta. Já um animal adulto tem movimentos mais precisos e a plumagem da crista bem formada e curvada”, detalha o especialista em animais exóticos.

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A expectativa de vida de até duas décadas exige um planejamento de longo prazo. Segundo a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que reforça a segurança em lares multiespécies, o ambiente é um fator determinante.

“Muitas pessoas perdem calopsitas por erros básicos, como o uso de panelas de teflon na cozinha, cujos gases são tóxicos para o pulmão sensível das aves, ou por deixarem o animal solto perto de ventiladores”, alerta a médica veterinária Marta Brito.

A base da longevidade começa com uma dieta correta; evite a alimentação baseada exclusivamente em sementes de girassol, que causam doenças hepáticas gordurosas. O ideal é o uso de rações extrusadas específicas para a espécie.

O banho de sol diário, antes das 10h ou após as 16h, é vital para a síntese de vitamina D e a fixação do cálcio. Além disso, o enriquecimento ambiental com brinquedos de madeira própria evita o estresse e o hábito de picagem.

Mantenha a higiene rigorosa da gaiola e nunca ignore sinais de apatia, pois, como explica Marta Brito, “as aves tendem a esconder sintomas de doenças até que estejam muito debilitadas; se ela ficou quietinha no fundo da gaiola, é uma emergência”.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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