Cão 'pirata': como é a vida de um pet com apenas um olho
A principal mudança técnica na rotina de um cão monocular é a redução da percepção de profundidade e a perda do campo de visão periférica; saiba mais

A perda de um globo ocular em cães, tecnicamente chamada de enucleação, é um procedimento que costuma gerar mais angústia nos tutores do que nos próprios pets. Seja em decorrência de glaucomas, traumas ou tumores, a transição para a vida monocular, com apenas um olho, mostra como os cães são resilientes. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), os cães têm uma percepção sensorial muito mais focada no olfato e na audição do que na visão, o que torna a adaptação muito mais rápida do que em seres humanos.
A principal mudança técnica na rotina de um cão monocular é a redução da percepção de profundidade e a perda do campo de visão periférica do lado operado. Conforme explicam especialistas em oftalmologia veterinária e as diretrizes da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), é comum que, nos primeiros dias, o animal fique inseguro ao tentar subir ou descer escadas ou ao calcular a distância de objetos.
Como o animal agora depende exclusivamente dessa visão, visitas semestrais a um oftalmologista veterinário são recomendadas para monitorar a pressão intraocular e prevenir condições degenerativas.
A adaptação doméstica exige pequenos ajustes para garantir a segurança e evitar acidentes. Manter a disposição dos móveis sempre a mesma e proteger quinas são medidas essenciais para evitar ferimentos no "lado cego".
Para garantir o bem-estar do cão pirata, a Itatiaia preparou três recomendações práticas básicas:
- O primeiro passo é garantir uma aproximação segura, sempre falando com o animal antes de tocá-lo para evitar sustos.
- Durante os passeios, mantenha o cão preferencialmente do lado onde ele enxerga ou use a guia curta para guiá-lo em obstáculos que estejam no seu ponto cego.
- Certifique-se de que não há galhos baixos no quintal ou quinas que possam ferir o olho saudável.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



