Raças pequenas que não soltam pelo: mitos e verdades sobre os pets ‘hipoalergênicos’

Nenhum cão é 100% hipoalergênico, já que as alergias humanas também são desencadeadas pela saliva e pela descamação da pele do animal

A maioria dos cães tem um subpelo, uma penugem, que cai periodicamente para regular a temperatura

A busca por cães que não deixam sujeira nos sofás ou que não agravem crises alérgicas levou à popularização de raças como maltês, shih tzu, yorkshire e poodle. Frequentemente chamados de “hipoalergênicos”, esses animais possuem uma característica biológica distinta: o ciclo de crescimento do pelo é muito mais longo, fazendo com que a queda seja pequena se comparada a raças de pelagem curta, como o pug ou o beagle.

Porém, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), nenhum cão é 100% hipoalergênico, já que as alergias humanas também são desencadeadas pela saliva e pela descamação da pele do animal, e não apenas pelo fio em si.

A grande diferença técnica está na estrutura do pelo. A maioria dos cães tem um subpelo, uma penugem, que cai periodicamente para regular a temperatura. Por outro lado, raças como o yorkshire e o maltês possuem uma pelagem que se parece muito ao cabelo humano. Segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), esses fios crescem continuamente e, quando morrem, ficam presos na própria pelagem em vez de caírem no chão.

É aqui que nasce o maior mito: o de que esses cães dão menos trabalho. Na verdade, por não caírem, esses pelos mortos formam nós e embolam com facilidade, o que pode causar dermatites graves se não forem removidos manualmente.

Leia também

A necessidade de escovação diária é a base de saúde dessas raças. No caso do poodle e do shih tzu, o pelo encaracolado ou denso funciona como um ímã para sujeira e umidade. Conforme orientam os manuais da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que reforça a higiene em lares multiespécies, a falta de escovação cria placas de pelos compactadas que impedem a ventilação da pele, e isso transforma o pet um alvo fácil para fungos e bactérias.

“O tutor que escolhe um cão que ‘não solta pelo’ deve estar preparado para dedicar pelo menos 15 minutos por dia à escovação e manter um cronograma rigoroso de banho e tosa”, destacam os protocolos de manejo.

A estética dessas raças é totalmente relacionada à saúde deles. Um maltês ou um yorkshire com pelos sedosos não é apenas um cachorro bonito, mas um indicativo de que a barreira cutânea está íntegra.

Além disso, a manutenção frequente permite que o tutor identifique precocemente a presença de ectoparasitas, como pulgas e carrapatos ou caroços que poderiam passar despercebidos debaixo da pelagem longa.

Para quem busca essas raças, a Itatiaia preparou um guia de cuidados essenciais:

  • Use diariamente uma escova de pinos ou uma rasqueadeira macia diariamente. Isso evita a formação de nós que, muitas vezes, só podem ser removidos com a tosa total na máquina.
  • Use shampoos e condicionadores próprios para o tipo de fio da raça. O condicionador pet é essencial para fechar as cutículas do pelo e facilitar o deslize do pente.
  • Mesmo que você prefira o pelo longo, a tosa na região das patas e partes íntimas é muito importante para evitar o acúmulo de sujeira e umidade.
  • Após o banho ou passeios na chuva, seque o animal completamente com secador em temperatura morna. Pelos longos úmidos são a principal causa de “cheiro de cachorro” e micoses.
  • A saúde do pelo vem de dentro. Dietas ricas em ácidos graxos (Ômega 3) ajudam a manter o fio forte e menos propenso a quebras.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

Ouvindo...