Pequeno e amigável: o que você precisa saber antes de levar um Shih Tzu para casa

Futuros tutores devem exigir o Certificado de Origem (Pedigree), documento que garante que o animal não descende de linhagens com anomalias genéticas graves

Embora o padrão da CBKC preveja pelagem longa e densa, a “tosa bebê" é amplamente recomendada em solo brasileiro para evitar a proliferação de fungos e dermatites causadas pela umidade e pelo calor excessivo

Todo mundo conhece alguém que tem um cachorro da raça Shih Tzu. Ele é conhecido pelo seu porte, pelo e dentinhos para fora e é hoje uma das raças mais populares no Brasil.

Originário do Tibete e historicamente ligado à nobreza da Dinastia Ming, de acordo com o Padrão Oficial da Raça, publicado pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), um cachorro shih tzu tem o temperamento amigável e independente, o que justifica a excelente adaptação dele a apartamentos e ao convívio com crianças.

Mas o “sucesso” da raça no Brasil exige que os tutores conheçam e respeitem as necessidades específicas de saúde que o clima tropica traz aos pets. Por ser uma raça braquicefálica (focinho achatado), o Shih Tzu tem uma anatomia que dificulta a respiração e a troca de calor.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em manuais de bem-estar animal, alerta que cães com essa característica são muito suscetíveis à hipertermia. Especialistas como Marcel Onizuka, veterinário clínico e cirurgião com experiência em raças braquicefálicas, reforçam que o risco de morte por calor é real:

“O Shih Tzu não resfria o corpo com a mesma eficiência que outras raças. Em dias quentes, típicos do verão brasileiro, o ambiente deve ser refrigerado e os passeios restritos aos horários de solo frio”.

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Além da questão respiratória, a saúde ocular é outro ponto de vulnerabilidade. Conforme dados do Colégio Brasileiro de Oftalmologistas Veterinários (CBOV), a conformação dos olhos do Shih Tzu, que é mais para fora (exoftalmia), os torna propensos a doenças como a ceratoconjuntivite seca e úlceras de córnea.

A manutenção da estética também entra no campo da saúde, pois embora o padrão da CBKC preveja pelagem longa e densa, a “tosa bebê" é amplamente recomendada em solo brasileiro para evitar a proliferação de fungos e dermatites causadas pela umidade e pelo calor excessivo.

A Itatiaia listou algumas orientações básicas para o bem-estar dos Shih Tzu no Brasil:

  • Os passeios devem ocorrer estritamente antes das 9h ou após as 18h para evitar queimaduras nas patas e colapso respiratório.
  • A limpeza diária dos olhos com solução fisiológica é fundamental para remover secreções que podem causar infecções graves.
  • Mesmo animais tosados precisam de escovação semanal para remover os pelos mortos e evitar nós que lesionam a pele.
  • Por ser um cão de baixa energia, o controle da alimentação do pet é essencial para evitar a obesidade, o que agrava problemas respiratórios.
  • Expor o filhote, desde filhote, a diferentes sons e pessoas garante o equilíbrio comportamental característico da raça.

Antes de adotar um Shih Tzu, a CBKC recomenda que o futuro tutor exija o Certificado de Origem (Pedigree), documento que garante que o animal não descende de linhagens com anomalias genéticas graves.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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