Brinquedos para gatos: como escolher o ideal de acordo com o comportamento do pet
Especialistas explicam que o enriquecimento ambiental deve respeitar a personalidade e o instinto de caça de cada felino para evitar estresse e obesidade

Muitos tutores enfrentam o desafio de comprar brinquedos que acabam esquecidos em um canto da casa. O segredo para o sucesso do enriquecimento ambiental não está na quantidade de objetos, mas na adequação ao perfil comportamental de cada animal.
Segundo a médica-veterinária e especialista em comportamento felino, Laila Massad Ribas, fundadora do portal Portal Medicina Felina, a escolha do item deve respeitar a biologia do animal: "O brinquedo precisa simular uma presa. O gato é um predador oportunista, e o brinquedo que não se move ou não oferece desafio logo perde o interesse", diz.
Para os gatos que passam muito tempo sozinhos, o foco deve ser o brinquedo de ocupação cognitiva, objetos que desafiam o animal a conseguir comida, como quebra-cabeças alimentares. Eles ajudarão a combater o tédio e a ansiedade de separação.
“Bolinhas que liberam grãos de ração ou brinquedos recheados com catnip são fundamentais para manter o pet mentalmente ativo na ausência do tutor, simulando a necessidade natural de ‘trabalhar’ pelo alimento”, reforça Ribas.
Já para gatos ativos, uma boa interação pode se dar por meio de varinhas. A brincadeira é uma extensão do instinto de sobrevivência, explica Ceres Faraco, médica-veterinária e doutora em psicologia do comportamento animal.
De acordo com ela, "a brincadeira de caça, espreitar, perseguir e atacar, é essencial para o equilíbrio emocional do felino". No caso do uso de lasers, a recomendação técnica da Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt) é clara: a luz deve sempre levar o gato a um objeto físico ou petisco. Sem a captura final, o animal pode desenvolver frustração e comportamentos obsessivos.
Por fim, para gastar energia física, o ambiente precisa de infraestrutura vertical e circuitos. Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em seus guias de posse responsável, o enriquecimento ambiental é "uma estratégia essencial para o controle do peso e da saúde articular".
- Gatos sozinhos: invista em enriquecimento ambiental alimentar, como puzzles e bolinhas de ração, e itens com catnip para estimular o olfato e a mente.
- Gatos ativos: as varinhas são os melhores simuladores de presas. Movimente-as como se fossem pássaros ou insetos para despertar o interesse.
- Gasto com muita energia: túneis e prateleiras são fundamentais. O gato precisa de altura para se sentir seguro e de espaço para correr.
- Segurança com sasers: nunca termine a brincadeira apenas desligando o laser. O ponto de luz deve "pousar" em um petisco para que o gato sinta que a caça foi concluída.
- Rodízio de itens: para o gato, "presa morta não tem graça". Guarde os brinquedos após a sessão e alterne os modelos para manter a sensação de novidade.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



