Conheça as principais diferenças entre as raças border collie e pastor australiano

É preciso disposição para ser, antes de um tutor, um parceiro de atividades para esses cães; deixar essas raças ociosa em um quintal ou apartamento é um erro comum

Ao respeitar a herança genética de cada raça, como os border collies, você garante uma convivência harmoniosa e um animal saudável e equilibrado

À primeira vista, eles podem parecer semelhantes, pois ambos são muito peludos e cheios de energia, mas o border collie e o pastor australiano possuem origens, temperamentos e exigências físicas distintas. Enquanto o primeiro é um “workaholic” focado no olhar, o segundo é um parceiro versátil e mais protetor. De acordo com os padrões oficiais da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), entender essas diferenças é o primeiro passo para uma posse responsável, e evita que o comportamento natural do animal vire um desafio para a família.

A principal diferença começa na forma de “trabalhar”. O border collie, originário da fronteira entre Escócia e Inglaterra, é famoso pelo seu olhar fixo, uma técnica de pastoreio. Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), essa característica reflete-se em casa: o border tende a ser mais focado em objetos, como bolinhas e frisbees, e pode desenvolver fixações obsessivas se não for estimulado.

Já o pastor australiano, que, apesar do nome, foi desenvolvido nos Estados Unidos, utiliza o corpo e a voz, é um cão de pastoreio mais físico e barulhento, com um instinto de guarda muito mais acentuado.

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Em termos de temperamento, a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que estuda o comportamento de animais em lares multiespécies, observa que o pastor australiano costuma ser mais apegado à família e reservado com estranhos. Essa característica o transforma em um bom cão de alerta. O border collie, por sua vez, pode ser mais independente e focado exclusivamente na tarefa que lhe foi dada, muitas vezes ignorando o que acontece ao redor se estiver concentrado em um brinquedo.

Fisicamente, as raças também divergem. O border collie tem uma silhueta mais leve e atlética, ótima para corridas de longa distância. O pastor australiano tem uma estrutura mais robusta e quadrada, além de uma característica genética marcante: muitos deles nascem com o rabinho curto ou mesmo sem rabo.

No quesito inteligência, embora o border lidere os rankings mundiais, o pastor australiano é frequentemente citado como mais adaptável a diferentes funções, desde o pastoreio até o trabalho como cão de terapia ou busca e salvamento.

O border collie exige um tutor que goste de treinar comandos complexos e tenha tempo para jogos de foco. É o cão ideal para quem quer praticar esportes como o agility. Já o pastor australiano, embora também precise de muito exercício, adapta-se melhor a uma rotina de companhia ativa, acompanhando a família em trilhas e viagens, desde que sua necessidade de “proteger” o grupo seja respeitada.

Em ambos os casos, o gasto de energia mental é obrigatório. Deixar qualquer uma dessas raças ociosa em um quintal ou apartamento é um erro que compromete a saúde mental do animal.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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