Cenoura não deve ser a base da dieta dos coelhos; saiba o que oferecer ao pet

Ao invés do mito da cenoura, coelhos devem se alimentar de feno e das folhas verdes para uma vida saudável, livre de dores dentárias e com o sistema digestivo funcionando bem

Coelhos são animais muito sensíveis ao estresse e à dor e por isso exigem um profissional especializado em animais exóticos e exames pré-operatórios rigorosos para garantir a segurança do procedimento

A imagem do coelho mastigando uma cenoura é a mais comum na nossa cabeça, mas na realidade, esse hábito pode ser fatal para o animal. A cenoura é rica em açúcar, chamado de frutose, e deve ser oferecida apenas como um petisco ocasional, e não como base alimentar. Uma dieta rica em açúcares e carboidratos leva rapidamente à obesidade e a graves desequilíbrios na flora intestinal.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a nutrição correta de um coelho deve ser estritamente herbívora e rica em fibras brutas para garantir o funcionamento do sistema digestivo e o desgaste dos dentes.

O verdadeiro protagonista da alimentação desses pequenos pets é o feno de capim. Ele deve compor cerca de 80% de tudo o que o animal come diariamente e estar disponível 24 horas por dia. O feno desempenha duas funções vitais: mantém o trânsito intestinal em movimento, o que evita a estase gastrointestinal, que é uma emergência veterinária, e promove o desgaste mecânico necessário, já que os dentes dos coelhos nunca param de crescer.

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Segundo a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (Abfel), que também orienta sobre o manejo de animais exóticos, a falta de fibras longas resulta em problemas dentários severos, como a formação de pontas nos molares que perfuram a boca do animal.

A pirâmide alimentar ideal é complementada pelos vegetais verde-escuros. Folhas como couve, rúcula, agrião, folhas de cenoura (as ramas) e catalonha são excelentes fontes de vitaminas e minerais. O consumo de alface, no entanto, deve ser evitado, pois a variante americana, por exemplo, tem muita água e quase nenhum nutriente, podendo causar diarreias ao pet.

Além das folhas, a ração peletizada, aquela em formato de cilindro, de alta qualidade, deve ser oferecida em quantidades limitadas: cerca de uma colher de sopa por quilo do animal. Assim, a ração servirá apenas como um suplemento vitamínico e não como a única fonte de alimento.

É bom lembrar também que a prevenção da obesidade e de problemas metabólicos começa na escolha do que vai para o comedouro. Conforme orientam manuais de medicina de animais exóticos, coelhos que comem apenas ração colorida, cheia de corantes e sementes e excesso de frutas desenvolvem cálculos renais devido ao excesso de cálcio e açúcar.

“A dieta do coelho deve ser a mais próxima possível da que ele encontraria na natureza: muito mato seco, folhas variadas e pouquíssima ingestão de amido”, afirmam os protocolos de manejo nutricional.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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