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Como evitar brigas entre cachorros e como agir em caso de conflito

Elas fazem parte do comportamento canino em disputas territoriais ou por recursos, mas podem, e devem, ser evitadas

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Entender os sinais de alerta, oferecer suporte adequado e buscar ajuda especializada são atitudes fundamentais para garantir a segurança de todos
O abandono de animais e a ausência de programas permanentes de castração, vacinação e educação para a posse responsável contribuem para o aumento das ocorrências • Freepik

Quando dois cães entram em confronto, a situação pode ser tensa e perigosa, tanto para os animais quanto para os tutores.

Elas podem ter motivações diversas, principalmente quando envolvem espaço, brinquedos, comida ou atenção dos tutores.

Fatores hormonais, histórico de maus-tratos e ausência de socialização também podem influenciar em comportamentos violentos entre animais.

Outros fatores comuns:

  • Mudança de rotina ou introdução de um novo cão no ambiente;
  • Estresse por confinamento prolongado ou falta de exercícios;
  • Presença de fêmea no cio entre machos não castrados;
  • Reforço involuntário de comportamentos agressivos pelos tutores.

"Muitos conflitos entre cães são evitáveis com a leitura correta da linguagem corporal e com uma introdução gradual em ambientes neutros", aponta a American Veterinary Society of Animal Behavior (AVSAB) em guia sobre agressividade canina.

Os sinais que precedem uma briga incluem rosnados, postura corporal rígida, olhar fixo, pelos eriçados e exibição de dentes.

Como intervir com segurança

Ao presenciar uma briga, nunca se deve tentar separar os cães com as mãos ou colocando o corpo entre eles, pois o risco de mordidas é grande.

A orientação do Conselho Federal de Medicina Veterinária é utilizar barulhos altos, jatos de água ou objetos para distrair os animais.

"A prioridade é preservar a integridade dos envolvidos e interromper o comportamento agressivo sem contato direto", orienta o CFMV.

Após o incidente, os animais devem ser avaliados fisicamente por um veterinário. Mesmo sem ferimentos aparentes, podem haver lesões internas ou traumas psicológicos.

Em casos recorrentes, os tutores podem experimentar o acompanhamento de um médico-veterinário comportamentalista.

A prevenção é sempre o melhor caminho. Socializar os cães desde filhotes, promover interações supervisionadas, respeitar o espaço individual de cada um e oferecer atividades físicas e mentais são medidas importantes para se ter ao criar cães em casa.

A Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), do Reino Unido, recomenda que os tutores fiquem atentos a mudanças de comportamento, evitem competição direta entre os animais e criem ambientes seguros e enriquecidos.

“Mesmo cães que convivem harmoniosamente podem se estranhar diante de estímulos inesperados”, aponta a entidade.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.