Cães com deficiência formam uma parcela significativa da população pet

Apesar dos avanços, tutores enfrentam desafios como o custo elevado dos tratamentos e equipamentos, por exemplo

As deficiências mais frequentes entre cães são deficiências locomotoras, como paralisia parcial, e amputações causadas por trauma ou doenças

Apesar de ainda ser um tema pouco debatido, os cães com deficiência compõem uma parcela significativa da população pet.

Dados da Associação Americana de Medicina Veterinária de Animais de Companhia (AAHA) apontam que até 10 % dos cães domésticos apresentam alguma limitação física. No Brasil ainda não há estatísticas nacionais consolidadas.

As deficiências mais frequentes entre cães são deficiências locomotoras, como paralisia parcial (frequente em casos de lesões de coluna ou hérnia de disco) e amputações causadas por trauma ou doenças.

Também são comuns a cegueira total ou parcial, geralmente associada à idade ou a doenças como o glaucoma, e a surdez, especialmente em raças com predisposição genética, como os Dálmatas.

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Além disso, cães idosos podem apresentar deficiências cognitivas, que se manifestam como alterações comportamentais similares ao Alzheimer humano.

Segundo a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), “com suporte adequado, a maioria deles leva vida ativa, e conseguem participar de passeios, socialização e brincadeiras”.

Dados sobre serviços veterinários e acesso

Na ausência de dados oficiais brasileiros, clínicas veterinárias e ONGs revelam algumas tendências, como a alta procura por fisioterapia e reabilitação funcional, principalmente em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.

A ONG Amparo Animal, sediada em Belo Horizonte (MG), relata que “mais de 20 % dos cães assistidos apresentam algum grau de deficiência motora, e que estão buscando qualidade de vida através da reabilitação”.

Apesar dos avanços, tutores enfrentam alguns desafios, como o custo elevado dos tratamentos e equipamentos, a dificuldade de acesso a clínicas especializadas fora das capitais e a desinformação sobre o convívio e bem-estar de animais com deficiência.

“Quando o tutor entende que o cão ainda pode brincar e interagir, a adoção é plena e feliz”, afirma a veterinária Ana Souza, da Sociedade Brasileira de Veterinária (SBV), em declaração oficial.

“No entanto, faltam políticas públicas e incentivo à adoção de clínica bases em todo o país”, avalia.

Vida normal, com adaptações

Mesmo com limitações, a maioria desses cães pode ter uma vida alegre e ativa como a de animais sem deficiência.

Adaptações simples, como degraus baixos e pisos antiderrapantes, já melhoram em casa. Também é importante ajustar a rotina do cão com passeios menores, estímulos mentais adequados e acompanhamento veterinário.

O que um tutor pode fazer por um cão com deficiência

  • Levar o pet para reabilitação, hidroterapia ou fisioterapia;
  • Implementar adaptações em casa (rampas, pisos seguros, acessibilidade);
  • Buscar orientação de veterinários especializados;
  • Estimular atividades que fortaleçam corpo e mente, com brinquedos e jogos;
  • Compartilhar informação para sensibilizar outros tutores.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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